Por: tvi24 | 8- 2- 2012 15: 20
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Homs é o epicentro da violência do regime sírio contra a contestação, mas também da antagonização de posições em relação
ao conflito entre potências ocidentais e Rússia e China. Só esta quarta-feira, os activistas que se opõe ao presidente Bashar
al-Assad dizem que foram mortos 67 civis e denunciam que 18 bebés prematuros morreram num hospital da cidade, devido ao corte
de energia. As Nações Unidas e a Turquia pedem que se haja, mas Moscovo opõe-se a qualquer interferência externa.
Numa
crítica implícita ao veto da China e da Rússia a uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, condenatória da
violência exercida por Damasco, a alta comissária para os direitos humanos da ONU, Navi Pillay, censurou o cerco a Homs.
«Estou
horrorizada com o assalto do governo sírio na cidade de Homs e com o uso de artilharia e outro armamento pesado, no que parecem
ser ataques indiscriminados contra áreas civis da cidade», apontou Pillay em comunicado.
A responsável sublinhou
a urgência da comunidade internacional em «agir de forma efectiva para proteger a população civil», considerando que o veto
da resolução que previa o afastamento de Bashar al-Assad do poder foi uma «carta branca» ao regime e uma «traição» ao acordo
global assumido em 2005 para a protecção de populações cujos governos fossem incapazes de o fazer.
A China e a
Rússia justificam o seu veto, defendendo a necessidade de não se optar por uma solução semelhante à da Líbia para resolver
a crise síria.
Depois do encontro desta terça-feira em Damasco entre Assad e o ministro dos Negócios Estrangeiros
russo, Sergei Lavrov, que garantiu ter recebido do presidente sírio a garantia do fim da violência, Moscovo criticou as potências
ocidentais.
O primeiro-ministro, Vladimir Putin, manifestou-se contra qualquer interferência externa na crise, censurando
o que apelidou do «culto da violência». «Nós, claro, condenamos toda a violência, independentemente da sua fonte, mas não
podemos agir como um elefante numa loja chinesa», apontou.
«Um culto de violência tem entrado no foro dos assuntos
internacionais na última década», frisou. «Isto não pode deixar de causar preocupação», acrescentou, salientando que a crise
síria não pode ter uma solução líbia, numa referência à intervenção da NATO no país que era liderado por Muammar Khadafi.
Por
sua vez, a França reagiu esta quarta-feira às garantias dadas por Assad à Rússia, descrevendo-as como uma «manipulação».
«É
uma manipulação e não vamos cair nela», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé, em declarações a
uma rádio francesa. «Não é a primeira vez que alguém se encontrou com Assad e lhe foram dadas garantias semelhantes».
Mas
a mensagem mais forte partiu da Turquia, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu, a dizer que é necessário
agir rapidamente. «É tempo de enviar uma forte mensagem ao povo sírio que estamos com ele», apontou.
Davutoglu defendeu
que se o Conselho de Segurança não for capaz de proteger os civis sírios, essa missão deve ser assumida por outra plataforma
de países, propondo para já a realização de uma conferência internacional sobre esta crise, em Istambul ou noutro centro regional.
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