Um símbolo nazi está a opor o Uruguai e a Alemanha, 75 anos depois do início da II Guerra Mundial. O Uruguai quer vender uma águia de bronze, que pertencia a um navio de guerra da Alemanha nazi, afundado no rio de Prata. A Alemanha opõe-se e quer impedir o leilão para que o símbolo não vá parar a seguidores de Hitler, noticia a BBC News.



A história começou no dia 13 de dezembro de 1939, o dia da única batalha da II Guerra Mundial na América do Sul. Em luta pela zona do Rio da Prata, um navio da Alemanha, o «Almirante GrafSpee», foi afundado no decurso da batalha na Baía de Montevideu, no Uruguai.

Passados 75 anos, rebenta uma nova guerra, agora diplomática, entre a potência europeia e o país sul-americano.







O símbolo do «Almirante GrafSpee» era uma águia de bronze de quatro toneladas de peso e dois metros de altura, resgatada do fundo do mar em 2006, acompanhada da respetiva cruz suástica.

Os caçadores de tesouros que a recuperaram e o Estado uruguaio iniciaram então uma disputa judicial, que terminou com a decisão de que a águia é propriedade do Estado uruguaio, ainda que, a haver uma venda, tenham de receber metade do valor em causa.

Um dos elementos que recuperou a águia diz agora que ela pode valer 15 milhões de dólares (12 milhões de euros).

Mas desde 2010 que a Alemanha insiste com o Uruguai para que a peça não seja vendida. O então ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Guido Westerwelle, resumiu o problema: a opção pelo leilão pode permitir que um dos mais importantes símbolos do período nazi vá parar às mãos de um adorador de Hitler ou do III Reich.
 

«Queremos evitar que os símbolos nazis sejam comercializados. É a única forma de evitar o enaltecimento dos ideais nazis», explicou Guido Westerwelle.