A mulher suspeita de estar por detrás da reorganização da máfia siciliana foi detida, esta quarta-feira, pela polícia italiana, na região de Palermo. Mariangela Di Trapani, de 49 anos, conhecida pelos restantes membros da máfia como La Padrona ou Mistress, estava acusada de ter gerido os negócios da família Resuttana, um dos clãs mais importantes de Sicília. A operação resultou ainda na detenção de 24 outros suspeitos.

A polícia acredita que Di Trapani funcionava como a ponte entre os chefes da máfia na prisão e os que ainda estavam em liberdade, para além do facto de estar a consertar as relações com outros clãs para restabelecer o seu.

Atualmente, a máfia de Sicília está enfraquecida, após a prisão de vários chefes importantes e da morte do “chefe dos chefes”, como era conhecido Totò Riina, no mês passado.

De acordo com os investigadores do caso, citados pelo The Guardian, Di Trapani desempenhava um papel fundamental na extorsão de grandes empresários sicilianos. O marido, Salvino Madonia, encontra-se a cumprir pena pela morte de um empresário, em 1991, que terá desafiado uma ordem da máfia.

A ascensão de mulheres a cargos de comando nos clãs mafiosos tem sido cada vez mais frequente em Itália. As chamadas “chefes de saias” ocupam a posição de líder em áreas governadas pela droga, como Nápoles, Reggio Calabria e Palermo, desempenhando a função que pertencia aos maridos e filhos antes de estarem atrás das grades.

Mais de 60 mulheres estão detidas em prisões italianas, acusadas de associação mafiosa, quase todas com anteriores cargos de liderança dentro dos clãs.

Tal como as mulheres hoje em dia estão a conquistar cada vez mais direitos no local de trabalho, também dentro das grandes organizações criminosas as mulheres ganharam poder de autoridade. Mas é preciso não esquecer que continuam a ser objeto de grandes limitações sociais”, declarou Teresa Principato, promotora de justiça anti-máfia em Palermo, citada pelo The Guardian.

Apesar dos cargos de liderança que podem ocupar, estas mulheres mantêm-se sob as antigas regras da máfia.

Elas são simplesmente mulheres ou mães que abdicaram de quaisquer diretos relativamente às suas próprias vidas, concordando em obedecer a regras definidas da organização”, acrescentou Teresa.

Segundo dados de um estudo realizado pela Universidade de Nápoles, 36% das mulheres da máfia são casadas com chefes, 9,5% são viúvas, 9,1% são parceiras e 4,5% são ex-mulheres. A restante percentagem distribui-se entre irmãs e primas.

As mulheres são de confiança, de quem a polícia mais dificilmente desconfia. Muitas delas eram as únicas autorizadas a visitar os homens da família presos, o que poderá ter levado a que funcionassem como meio de comunicação entre os que estão detidos e os que estão em liberdade”, disse Alessandra Ziniti, especialista na máfia, citada pelo The Guardian.

Exemplos semelhantes são os de Anna Maria Licciardi, de 66 anos, chefe de um clã em Nápoles, e de Aurora Spanò, de 59 anos, pertencente a um grupo de Calabrian.