Morreram esta quarta-feira os gémeos sírios que nasceram a 23 de julho num hospital de Ghouta, e que o médico português Gentil Martins se tinha oferecido para operar, dada a insuficiência de meios do sistema de saúde sírio.

Os gémeos Nawras e Moaz, juntos, pesavam cinco quilos e 400 gramas quando nasceram. Partilhavam os intestinos e estavam unidos no peito, mas tinham dois corações normais. Como tal, a cada dia aumentava a urgência da realização de uma cirurgia que separasse os bebés.

Os gémeos ainda foram transferidos pelo movimento internacional humanitário Crescente Vermelho para uma outra unidade hospitalar na cidade de Damasco, no dia 12 deste mês, mas as hipóteses de sobrevivência eram quase nulas.

Assim sendo, numa carta aberta divulgada pela Sociedade Médica Sírio-Americana, o médico Mohamad Katoub explicou que o sistema de saúde sírio não estava habilitado a responder à complexidade da situação e avisou que os gémeos estavam a “ficar sem opções”. Como tal, depois de ter sido lançado um apelo internacional, o médico português Gentil Martins disponibilizou-se para operar os bebés e salvar aquelas vidas, sem qualquer custo da sua parte.

De acordo com o conceituado cirurgião pediatra português de 86 anos, que já realizou sete operações de separação de gémeos siameses com sucesso, os bebés teriam 99% de hipóteses de se salvarem, caso fossem operados por ele, em Portugal, preferencialmente no Hospital D. Estefânia de Lisboa.

O médico disponibilizou-se para realizar a cirurgia sem qualquer custo da sua parte, mas os valores das viagens e do internamento teriam de ser suportados por alguém, de preferência o Ministério da Saúde, pois caso fossem custeados por uma entidade privada, seriam mais elevados.

Assim, devido a processos burocráticos que impediam os gémeos de viajar para o estrangeiro para poderem ser salvos, os bebés acabaram por morrer, esta quarta-feira, segundo a publicação de Katoub no Twitter: