Os comportamentos sexuais compulsivos estão pela primeira vez na lista de classificação internacional de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Os comportamentos sexuais compulsivos são um “padrão persistente na falha de controlar os impulsos sexuais ou impulsos repetitivos e intensos” e embora as pessoas que sofrem deste distúrbio tentem resistir à constante necessidade de sexo, não conseguem. Podem até repetir a atividade sexual várias vezes e nem chegar a sentir prazer. O distúrbio pode também impedir a pessoa de ir para o emprego, de obter rendimento e concluir a escola e pode afetar os relacionamentos.

Não se considera que uma pessoa tem o distúrbio devido à quantidade de parceiros sexuais ou à quantidade de vezes que pratica relações sexuais, mas sim quando o sexo é o "foco central da vida da pessoa a ponto de negligenciar a saúde, os cuidados pessoais, atividades, responsabilidades ou outros interesses".

A lista da OMS, denominada por ICD-11 e atualizada em junho deste ano, é um documento que todos os médicos e cientistas do mundo utilizam para identificar e estudar problemas de sáude, lesões e causas de morte e o comportamento sexual compulsivo passou a estar incluído após a mais recente atualização. A anterior tinha sido feita em 2013.

O comportamento sexual compulsivo não é, de acordo com a definição, uma "aflição relacionada com os julgamentos morais e desaprovação sobre impulsos ou comportamentos sexuais"

Durante séculos, as pessoas têm tentado entender qual é a causa da hipersexualidade. Têm sido atribuídos vários tipos de nomes ao longo dos anos, mas apenas nos últimos 40 anos tentámos entendê-la a partir de uma perspectiva académica", declara à CNN o Dr. Timothy Fong, professor clínico de psiquiatria do Instituto Semel de Neurociência e Comportamento Humano da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Alguns médicos debatem se este não será um distúrbio autónomo, tal como o vício do jogo, outros duvidam se o sexo pode ser considerado um vício, já que não há abuso de drogas ou álcool, e veem-no como um rótulo potencialmente humilhante. Parte da ciência começa a sugerir que este comportamento repetitivo altera a função cerebral.

Algumas pesquisas regionais indicam que cinco por cento da população pode sofrer deste distúrbio, uma maior percentagem do que a das pessoas que sofrem de bipolaridade, esquizofrenia ou vício do jogo.

Robert Weiss, especialista em vício, menciona que tratou mais de mil pessoas com distúrbio de comportamento sexual compulsivo e descobriu que, geralmente, mostram rápidas melhoras quando abordam os problemas subjacentes que as levam a focar-se no sexo.

Muitas vezes é a fantasia antecipatória, a lembrança do ato em si, a excitação da perseguição que faz a pessoa "perder-se completamente". Ao contrário do tratamento feito aos viciados em álcool, neste caso trata-se de ajudar alguém a ter uma relação mais saudável com o sexo.

A ideia não é reprimir o desejo. A sexualidade é parte do ser humano, mas sim orientar a pessoa", defende Weiss.

Weiss e Fong afirmam que ambos já obtiveram sucesso ao ajudarem pacientes com este distúrbio. O tratamento pode incluir psicoterapia tradicional e participação em grupos de apoio. Existe também a possibilidade de prescrição médica de antidepressivos e estabilizadores de humor.

A pesquisa relativa aos comprotamentos sexuais compulsivos é limitada, em parte, devido à falta de financiamento e a uma inconsistência na definição do que é este distúrbio. A decisão da Organização Mundial da Saúde em colocar este distúrbio na lista, provavelmente ajudará.