O ministro da Defesa israelita, Moshe Ya'alon, declarou que os 43 oficiais dos serviços de inteligência de Israel que assinaram uma carta onde se recusam a fazer parte das operações nos territórios palestinianos são criminosos.

«Esta recusa é política, não é moral. Não vou permitir este abuso político e os que assinaram o documento vão ser tratados como criminosos», declarou, numa conferência sobre cibersegurança, esta segunda-feira, em Telavive.

Na sexta-feira, foi divulgada uma carta pública, assinada por estes oficiais veteranos, que tece várias denúncias relativamente aos sistemas de vigilância de palestinianos por parte dos serviços de inteligência de Israel.



No documento, os militares afirmam que esta vigilância - que inclui chamadas telefónicas, correspondência eletrónica e redes sociais - não serve os objetivos do Departamento de Defesa de Israel e é usada para perseguição política e para criar divisões na sociedade palestiniana. Mais, os oficiais referem que esta é uma forma de Israel perpetuar a ocupação palestiniana, infiltrando-se e controlando a vida dos palestinianos.

«Nós, veteranos da Unidade 8200, soldados de reserva no presente e no passado, declaramos que recusamos fazer parte das ações contra os palestinianos e recusamos continuar a servir as ferramentas de controlo militar sobre os territórios ocupados», lê-se na carta.

A posição já recebeu duras críticas do primeiro-ministro e do Presidente de Israel, bem como de membros da oposição.

«Este é um ato que deve ser condenado e constitui uma exploração política das Forças de Defesa de Israel», afirmou o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, este domingo.

Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, o general Motti Almoz, escreveu que vai haver um tratamento disciplinar «claro e direto», alegando que não há espaço para recusas no Departamento de Segurança israelita.

Ainda em resposta ao documento, as forças militares de Israel revelaram que 200 membros da mesma unidade assinaram uma carta defendendo as operações.



Agora, estes 43 oficiais na reserva poderão ter de enfrentar sanções, embora não se saiba exatamente que acusações poderão estar em causa.

Antes da publicação do documento, um dos oficiais que subscreveu a carta revelou ao «The Guardian» que tinha receio de ser considerado um inimigo do estado. No entanto, os 43 militares tiveram a ajuda de advogados para que o documento e os testemunhos não violassem as leis israelitas.

Entretanto, o líder da unidade 8200 - que coopera com a agência norte-americana NSA - terá enviado um aviso aos militares, alertando-os de que todas as questões éticas deveriam ser tratadas dentro da organização, com os responsáveis superiores, e não na comunicação social.