Um grupo da oposição política do Kosovo interrompeu uma sessão plenária, esta quinta-feira, para protestar contra o acordo recente do governo com a Sérvia, patrocinado pela União Europeia. Os manifestantes lançaram gás lacrimogéneo aos deputados, deixando dois membros do parlamento inconscientes.

De acordo com a AFP, a sessão foi imediatamente interrompida, depois do plenário se ter enchido de fumo.

Duas ou três latas de gás lacrimogéneo foram atiradas durante a sessão, levando duas deputadas a serem hospitalizadas, depois de terem desmaiado. Um dos líderes do protesto, Albin Kurti, atirou um copo de água aos parlamentares.

Nenhum dos manifestantes foi preso e não houve registo de feridos graves, apesar de quatro ambulâncias terem sido chamadas ao local.

O grupo de manifestantes exige que o governo retire o acordo com a Sérvia, alegando que este vai pôr em causa a integridade territorial do Kosovo. O governo responde, afirmando que a oposição quer chegar ao poder usando meios inconstitucionais.

“O acordo alcançado em Bruxelas e a demarcação das fronteiras com o Montenegro não vão passar”, avisaram os manifestantes. “Não vamos permitir que a Sérvia volte para o Kosovo. A terra do Kosovo não vai ser concedida a Montenegro. O governo deve retirar-se destes acordos”.


O governo do Kosovo emitiu um comunicado, afirmando que o "comportamento violento" da oposição tinha "excedido todos os limites do comportamento institucional e democrático".

Contudo, Kadri Veseli, o porta-voz do parlamento, continuou a sessão, convidando a oposição a participar no debate para discutir o acordo com a Sérvia.
 

“Juntos podemos expressar as nossas reservas, desagrado ou acordo com acordo de Bruxelas. O que está a acontecer não é patriótico e não está a ajudar o Kosovo”.


Jean-Claude Schlumberger, chefe da missão europeia para auxílio do Kosovo, já afirmou com os protestos foram um ato “inaceitável e prejudicial para a democracia”.

O Kosovo, cuja população é maioritariamente de etnia albanesa, declarou a independência da Sérvia em 2008. Contudo, o governo sérvio rejeita a independência e ainda considera o território como uma província sua a sul.