Notícia atualizada às 12:18

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou esta quarta-feira, na abertura da conferência de paz para a Síria, que «as negociações não serão fáceis nem rápidas», mas considerou que «há uma oportunidade real para a paz».

«Não temos a garantia de um sucesso de 100%, mas acredito que há uma oportunidade real para a paz», assegurou o ministro russo no seu discurso na abertura da conferência de Genebra II, que se iniciou esta quarta-feira em Montreux, na Suíça.

O ministro russo pediu ao regime sírio, do Presidente Bashar al-Assad, e à oposição para trabalharem em conjunto, com o objetivo de aliviar a situação humanitária e fortalecer a confiança entre as partes, assim como permitir que as negociações tenham continuidade.

«É uma responsabilidade histórica que está nos ombros de todos os participantes», indicou o ministro russo.

A Rússia é uma das potências mundiais aliadas do regime do Presidente Al-Assad. «A ameaça da Síria se tornar um feudo do terrorismo internacional tornou-se num problema mais sério», disse, acrescentando que a Rússia mantém a sua posição de que não pode haver uma solução através do uso da força.

Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou à seriedade e espírito construtivo das delegações sírias e perguntou «quantas mais pessoas têm de morrer» até se atingir um entendimento.



A Síria disse que «ninguém tem o direito de conferir ou retirar a legitimidade a um Presidente, exceto os próprios sírios», reagindo a uma declaração dos Estados Unidos, que rejeitam a participação de Bashar al-Assad num novo Governo.

«Senhor Kerry, ninguém no mundo tem o direito de conferir ou retirar legitimidade a um Presidente, uma Constituição ou uma lei, exceto os próprios sírios», disse Walid Muallem, na abertura das conversações de paz.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, além de rejeitar condições prévias para a constituição de um Governo de transição, acrescentou que os países que financiaram os grupos da oposição contribuíram para «aumentar o terrorismo».

«O diálogo entre os sírios é a solução para a crise atual, mas enquanto houver países a financiar os grupos da oposição o diálogo não vai ter êxito», disse o governante, que depois se dirigiu diretamente aos seus opositores da Coligação Nacional Síria para dizer que esta organização não era representativa das várias sensibilidades no país e não conseguiu sequer unir a oposição.

As críticas subiram depois de tom, com o ministro a dirigir-se à delegação da oposição para os acusar de traição: «Se querem falar em nome dos sírios, não deviam ter traído o povo sírio e serem agentes a soldo dos inimigos do povo sírio».

Já a Coligação Nacional Síria apelou à delegação do regime de Assad que aceite as negociações para a formação de um Governo de transição.

«Eu apelo (à delegação do regime sírio) para assinar imediatamente o documento de Genebra I, que prevê a transferência das prerrogativas de Assad, incluindo aquelas referentes ao exército e à segurança, a um Governo de transição», afirmou o líder da oposição síria, Ahmad Jarba.

O opositor considerou que «este é o único propósito» que se deve esperar desta conferência de paz para a Síria: «Colocar de lado Al-Assad e de todos os símbolos do seu regime».

O líder opositor disse que não pode haver negociações sérias sem a resolução destas questões fundamentais e sem um calendário rigoroso, que deve ser definido nesta primeira ronda negocial.

«Não temos tempo a perder. Devemos chegar rapidamente a uma situação de cooperação para encontrar uma solução para o conflito», acrescentou.