Uma adolescente marroquina de 17 anos foi sequestrada, violada e torturada durante um mês numa casa em Oulad Ayad, no centro do seu país, por um grupo de, pelo menos, 13 jovens.

O bando de violadores é já conhecido como o “La Manada” marroquino, dadas as semelhanças do ocorrido com o caso dos cinco homens condenados por abuso sexual de uma jovem de 18 anos, nas festas San Fermín, em Pamplona, Espanha, em 2016.

Em Marrocos, contudo, os abusos terão durado um mês. 

Vinha um [violador], soltava-me e vinha outro”, relembra agora a jovem Khadija que se sente humilhada pela situação à qual foi submetida.

Ao que revela o jornal espanhol La Vanguardia, a rapariga estaria a passar o Ramadão em casa de uma tia, quando o grupo apareceu e a sequestrou.

Apareceram [em casa da tia] uns rapazes que conheço e sequestraram-me. Apontaram-me uma faca e ameaçaram-me. Meteram-me à força num carro e levaram-me para um lugar desconhecido. Foi aí que me torturaram, violaram e fizeram-me tatuagens com fogo”, conta a jovem citada pelo La Vanguardia.

Marcada na pele

Durante o mês que durou o seu cativeiro, Khadija foi submetida a contínuas violações e torturas. Marcaram-lhe inclusivamente a pele com insultos, em várias partes do corpo, com objetos afiados.

Segundo contou, os agressores faziam turnos para violar a rapariga, além de a queimarem com cigarros.

Dos 13 agressores, com idades entre os 18 e 27 anos, dez já foram detidos pelas autoridades marroquinas. Outros três continuam a ser procurados.

Buchra Abdu, fundadora da associação marroquina para o Desafio da Igualdade e Cidadania, lembra que as pessoas nas regiões rurais sentem medo da polícia e, por isso, a família teve dúvidas sobre se devia apresentar queixa contra os criminosos.

O meu pai disse-lhes [aos criminosos] que se se rendessem não diria nada às autoridades. Mas fui eu quem contou tudo à polícia. Quero justiça e que eles paguem pelo que me fizeram", afirmou Khadija.

A Associação para o Desafio da Igualdade e Cidadania fornecerá agora à família um advogado e tratamento psicológico para a rapariga.

Tentei escapar várias vezes, mas fui apanhada e bateram-me. Torturaram-me, não me deram comida nem bebida e nem sequer me deixaram tomar um duche. Eles estragaram a minha vida. Eu não era assim. Rezava, estava em casa, estudava. Agora quero sair e não posso”, explicou a jovem.