As tropas do Governo ucraniano conseguiram, este domingo, recuperar quase todo o território do aeroporto de Donetsk, que havia sido perdido para as forças separatistas nas últimas semanas.

Segundo a agência Reuters, este é o culminar de uma nova série de combates entre tropas de Kiev e os separatistas pró-russos nas regiões de Donetsk e Donbass na última semana, que já causaram vários mortos, incluindo 13 pessoas que seguiam num autocarro civil.

Só nas últimas 24 horas, três soldados terão morrido e 66 ficaram feridos na resposta dos separatistas à ofensiva das tropas governamentais. No entanto, o porta-voz do exército, Andriy Lysenko, garante que os seus militares vão defender esta zona estratégica a todo o custo.

«Os [separatistas] das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk continuam a atacar o aeroporto de Donetsk e a disparar contra as nossas posições. Este não é apenas um objetivo estratégico, é uma plataforma a partir da qual os terroristas podem planear uma nova ofensiva. Não vamos abandonar o aeroporto», disse.

O Governo de Kiev considera que estes novos combates não violam o plano de paz assinado com a Rússia e o líder dos separatistas em setembro, uma vez que o aeroporto se encontra dentro de território do Governo, como definido nas linhas de separação militares.

«Conseguimos recuperar o território do aeroporto quase completamente, que pertence ao território das forças ucranianas, como foi definido nas linhas de separação militares», afirmou Andriy Lysenko.

Já o porta-voz do parlamento russo, Dmitry Peskov, afirma que o Governo de Moscovo está preocupado com o aumento da violência na Ucrânia e acusou o presidente Petro Poroshenko de rejeitar um plano de paz contido numa carta enviada pelo presidente russo Vladimir Putin.

«Nos últimos dias a Rússia tem feito esforços, como intermediária, para desagravar o conflito», disse Peskov, segundo a agência ITAR TASS.

Peskov garantiu que, na carta, Putin propôs que ambos os lados parassem de utilizar artilharia pesada, armas de calibre superior a 100 mm.

«[São necessárias] medidas urgentes para travar os ataques mútuos, e parar o uso de armas com calibre superior a 100 mm», escreveu Putin, segundo o canal russo NTV, que divulgou a carta este domingo.

O presidente ucraniano não comentou a alegada missiva.

                         


«Vamos recuperar a área de Donbass»

Petro Poroshenko discursou para vários milhares de pessoas, este domingo, em Kiev, no final de uma marcha pelas vítimas do ataque ao autocarro civil, prometeu recuperar todo o território da zona de Donbass, e garante que o Governo não vai ceder um único pedaço de território.

«Não entregaremos um pedaço de terra ucraniana. Vamos recuperar Donbass», disse Poroshenko.

Por sua vez, o líder dos separatistas, Alexander Zakharchenko, culpou o Governo ucraniano pelos ataques.

«Kiev está a tentar lançar a guerra novamente», afirmou, segundo a Interfax.

O ministro do Interior ucraniano dá conta de um outro ataque na região de Vuhlerisk, uma zona controlada pelo Governo a 60 quilómetros de Donetsk, que terá matado dois irmãos, com 8 e 16 aos, e ferido uma menina de 8 anos, irmã das vítimas. A casa dos três terá sido atingida por um míssil vindo de Yenakiieve, controlada pelos rebeldes.

Desde o início do conflito, a Organização Mundial de Saúde estima que a guerra já terá feito 4800 mortos.