O pai do autor do tiroteio numa discoteca gay na cidade norte-americana de Orlando, na Florida, afirmou, em entrevista à CNN, que aquilo que Omar Mateen fez “é a pior coisa que um pai pode ver um filho fazer”.

O que ele fez foi um ato de terror, mas está longe de ser um terrorista. Não sabia disso”, afirmou, acrescentando que nunca viu sinais de alerta antes do ataque.

De acordo com Seddique Mateen, o filho era atento ao trabalho, à família – visitava os pais com regularidade –, não tinha problemas mentais e não mostrava ter-se radicalizado.

Estou sem palavras para aquilo que ele fez. Como pai, não o perdoo. Gostava de ter tido a oportunidade de falar com ele sobre o que aconteceu. Condeno o que ele fez. Gostava de ter sabido o que ele ia fazer. Se o tivesse apanhado tê-lo-ia prendido eu próprio."

É a falta de respostas para as ações de Omar que mais intriga Seddique, que confessou à CNN que outra das perguntas para a qual não tem resposta é qual a razão para o filho ter ido àquela discoteca. 

O progenitor contou ainda que o filho não suportava ver afetos entre homossexuais e que por isso não percebe o porquê do filho estar naquele local. 

Sem especificar como é que o filho reagiu, o pai de Omar contou que o filho teve “uma reação” quando viu dois homens a beijarem-se em público perto de mulheres e crianças. Num vídeo anterior, Seddique afirmava que podia estar aí a explicação para o tiroteio.

“Omar consumia muita propaganda jihadista”

Consternado pelas ações do filho, Seddique afirmou ainda que apenas o filho pode ser responsabilizado pelo que aconteceu na madrugada de domingo. 

O meu filho é o único responsável pelo seu comportamento”, afirmou, acrescentando que um grupo religioso não pode ser responsável pelas ações de uma só pessoa. 

No entanto, Seddique criticou o Estado Islâmico – que reclama a autoria do ataque – dizendo que se trata de “um inimigo da humanidade”.

A maneira como eles atuam, ameaçam toda a gente. Não são um grupo religioso. Não sei o que eles são. São um grupo de assassinos”.

Segundo a CNN, um oficial responsável por analisar os aparelhos eletrónicos de Omar, o autor do ataque “consumia muita propaganda jihadista” online, incluindo vídeos de decapitação do Estado Islâmico.

Omar Mateen, filho de pais afegãos, foi morto pela polícia depois de ter assassinado meia centena de pessoas e feito reféns. Tinha uma pistola, uma metralhadora e várias munições, adianta a polícia de Orlando.

Era natural de Fort Pierce, também no estado da Florida. De acordo com uma fonte ligada à investigação, citada pela CNN, alugou um carro para viajar até Orlando e levar a cabo o ataque.