Chama-se Onitsha e trata-se da cidade com a pior qualidade do ar no mundo inteiro. Situada no leste da Nigéria, tem 350 mil habitantes e uma forte densidade populacional. Além disso, é uma zona industrial que registou 30 vezes mais o limite de partículas inaláveis (PM10) estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo o relatório mais recente desta entidade.

Mas este não é o único problema da Nigéria. O país da África Ocidental tem outras três cidades na lista das 20 mais críticas, como é o caso de Kaduna, Umuahia e Aba, outra área industrial do leste. A seguir a Onitsha, estão Peshawar, no Paquistão, e Zabol, no Irão.

No todo, as áreas com a pior qualidade do ar são dominadas pelo Sudeste Asiático e pelo Médio Oriente. Índia, Irão, Paquistão e Arábia Saudita possuem, cada um, três cidades nesta lista. Bahrein e Afeganistão têm duas. E a China, surpreendentemente, regista apenas uma, Shijiazhuang, no norte do território.

Inversamente, entre as cidades com menores níveis de poluição do ar, Nova Iorque, nos Estados Unidos, ocupa a posição cimeira. Seguem-lhe Sydney, na Austrália, Los Angeles, também em solo norte-americano, e capitais europeias como Londres (Reino Unido) ou Berlim (Alemanha).

Os riscos alertados salientados pela OMS são, todavia, transversais ao resto do mundo. O relatório da entidade analisou três mil cidades de 103 países e descobriu que 80% da população urbana mundial está exposta a poluentes que excedem os níveis recomendados. Quer isto dizer que o ar respirado pelos 3,9 mil milhões de seres humanos residentes em cidades, pode ser nocivo para a saúd. E só nos últimos cinco anos, a poluição do ar aumentou 8% nas cidades monitorizadas.

Neste relatório, destaca-se ainda uma discrepância assinalável entre as cidades mais ricas e as mais pobres. Nos ditos países em desenvolvimento, o estudo da qualidade do ar mostra que 98% das áreas urbanas estão aquém das recomendações. Em países desenvolvidos, as estatísticas recuam para 56%.

Atualmente, 54% da população mundial vive em áreas urbanas, algo que pode subir para 66% em 2050. A poluição do ar é hoje o maior risco ambiental para a saúde, causando 5,5 milhões de mortes prematuras anualmente. Como tal, indica a OMS que os níveis de poluição atuais deve pressionar os líderes políticos de todo o mundo, uma vez que o controlo da qualidade do ar passa pelos governos de cada país. 

O relatório da OMS fixa ainda as recomendações para os estados melhorarem a qualidade do ar. Em situações precárias, aumentam os riscos de doenças cardio-respiratórias e cancro do pulmão. No entanto, há boas notícias. Quando os governos decidem tomar rédeas, as melhorias são relativamente rápidas. Mais de 50% das cidades em países desenvolvidos e mais de 33% das cidades dos países em desenvolvimento conseguiram reduzir os níveis de poluição do ar em 5% ao longo de cinco anos.

Em Portugal, metade das 12 cidades estudadas pela OMS ultrapassaram o limite fixado para um dos dois poluentes do ar avaliados (as PM10 ou as partículas finas PM 2.5). É o caso de Ílhavo, Albufeira, Coimbra, Faro, Lisboa e Vila do Conde que excederam o máximo de 10 microgramas por metro cúbico estipulado para as PM 2.5. Apenas Ílhavo superou o limite de 20 microgramas por metro cúbico para as PM10.