A Organização Mundial de Saúde pediu 25 milhões de dólares para o plano de resposta ao Zika na América do Sul, mas até agora só recebeu três milhões, avisou esta terça-feira a diretora-geral da organização.

"A situação é séria" em termos de financiamento, disse Margaret Chan numa conferência de imprensa sobre o Zika que foi transmitida por teleconferência desde Genebra. A responsável explicou que a OMS pediu 56 milhões de dólares, dos quais 25 milhões para a região das Américas.

Só recebemos três milhões de dólares desses 25 e estamos agora em discussões ativas para receber mais quatro milhões", afirmou.

Em ambos os casos, o dinheiro é cedido por Estados-membros da OMS. Questionada pelos jornalistas sobre como vai gerir a epidemia com tão poucos recursos, a diretora-geral da organização disse que terá de "mexer no dinheiro para fazer as coisas certas".

"As implicações de saúde pública são tão grandes que farei tudo o que puder para mobilizar dinheiro", disse, explicando que primeiro usará "dinheiro flexível" do orçamento da instituição e depois recorrerá a fundos de outras áreas, numa espécie de "empréstimo interno".

Margaret Chan explicou que o dinheiro é usado, por exemplo, para enviar especialistas e equipamentos para países que não têm os recursos para responder à epidemia, e exemplificou com o caso de Cabo Verde, para onde a OMS enviou uma missão no passado dia 18. Para a missão em Cabo Verde, especificou, foram precisos 50 mil dólares.

A organização de reuniões científicas, como as que se realizaram nas últimas semanas para discutir prioridades de investigação, por exemplo, é outro destino do financiamento, explicou. "Precisamos de juntar os melhores cérebros do mundo para trabalhar nestas intervenções. Tudo isto requer dinheiro".

A Comissão Europeia financiou o programa Horizonte 2020 com 10 milhões de euros. A verba destina-se a financiar projetos que investigam a presumível ligação entre o vírus e os casos notificados de malformações cerebrais graves, como a microcefalia, em recém-nascidos.

A OMS enviou dia 18 os primeiros técnicos de uma missão que vai apoiar as autoridades sanitárias de Cabo Verde no combate ao vírus Zika, cujo número de casos suspeitos no arquipélago ascende a quase 7.500.

Dados desta instituição das Nações Unidas, baseados nos enviados pelas autoridades sanitárias cabo-verdianas, indicam que o arquipélago registou 7.490 casos suspeitos entre 21 de outubro de 2015 e 06 deste mês, tendo-se contabilizado 165 grávidas, das quais 44 já deram à luz sem quaisquer complicações ou anomalias.

A 15 deste mês, foi confirmado o primeiro caso de microcefalia no país e estão em curso investigações para determinar se o caso tem ligações ao vírus.