Três freiras indianas foram libertadas do Convento da Ordem das Mercedárias, em Santiago de Compostela, em Espanha, onde eram obrigadas a trabalhar e a viver na clausura, diz a justiça espanhola, citada pelo jornal El Diario.

As freiras têm 39, 35 e 34 anos e chegaram ao convento no final dos anos 90. A juíza que investiga o caso diz que encontrou sinais de detenção ilegal, ameças, coerção e condições de escravidão.

As mulheres já tinham manifestado à madre superiora a vontade de deixar a clausura, mas foram ameaçadas com uma possível deportação, mesmo com as três em situação de residência regular na Espanha, e coagidas com a hipótese de trazer "vergonha" para as famílias na Índia. A madre disse também que a libertação só poderia acontecer com uma alegada "dispensa papal".

A investigação começou depois de uma outra freira indiana conseguir escapar do convento ano passado, depois de viver naquele lugar enclausurada e forçada a trabalhar por 15 anos. Fugiu quando teve autorização para visitar a mãe doente na Índia. A ex-freira foi contratada como empregada doméstica, em Madrid, e contou para a patroa o que tinha enfrentado. Foi a patroa quem denunciou o caso a polícia, com o alerta de que ainda existiriam religiosas sob as mesmas condições.

Em depoimento, a freira que escapou contou que trabalhava das 06:00 ao anoitecer e que a madre superiora disse: "você nunca sairá daqui enquanto eu viver".

A polícia foi ao convento com a ordem para que cinco freiras estrangeiras fossem libertadas. Duas disseram espontaneamente que não queriam deixar o local. As três indianas seguiram para Madrid e estão a ser acompanhadas por serviços sociais. Nenhuma quis fazer queixa contra a madre superiora, atualmente com 79 anos.

As freiras libertadas disseram que, antes de irem para Espanha, não sabiam o que era um convento de clausura, já que na Índia as religiosas trabalham em contacto com as comunidades.

O arcebispo de Santiago de Compostela rebate as acusações contra a Ordem das Mercedárias, diz que as freiras indianas tiveram uma "crise vocacional" e que já existia um procedimento canónico aberto pra que as três deixassem a vida religiosa, avança o jornal  El Mundo.

Entretanto, a juíza responsável pela investigação esclarece que a Lei Orgânica de Liberdade Religiosa garante que todos têm o direito de mudar ou abandonar uma vocação, e que "a liberdade de culto e religiosa tem como único limite o direito de exercer as liberdades públicas e os direitos fundamentais".