Um mercado negro para tratamento do ébola derivado do sangue dos sobreviventes está a surgir nos países de África Ocidental que vivem o pior surto do vírus da história, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS). Alguns infetados com o vírus mortal estão a comprar sangue de pacientes curados, acreditando que contém anticorpos capazes de vencer a doença.

O mais mortal surto de ébola na história já matou pelo menos 2.400 pessoas na Guiné, na Libéria e na Serra Leoa, os países mais afetados pelo vírus. Milhares de pessoas estão infetadas e novos casos surgiram na Nigéria e no Senegal.

O sangue de sobreviventes, que alguns estudos apontam como convalescente, poderá ter anticorpos que podem combater o vírus mortal. Embora não comprovada, a hipótese da transfusão forneceu alguma esperança na luta contra uma doença sem droga aprovada para o tratamento, noticia a CNN, que cita representantes da OMS.

A agência de saúde das Nações Unidas trabalhará com os governos para acabar com o comércio ilícito do soro sanguíneo, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, na quarta-feira em Genebra, onde está a sede da organização. Existe o perigo de que esses soros contenham outras infeções e não sejam administrados de forma apropriada, avisou Chan.

A OMS está a encorajar o uso do soro obtido de forma apropriada para tratar os atuais pacientes e disse na semana passada que isso deve ser uma prioridade. Um terceiro trabalhador missionário dos EUA, que foi infetado com ébola na Libéria e viajou para os EUA para receber cuidados médicos, foi tratado com transfusões sanguíneas de outro norte-americano que recuperou do vírus em agosto. Os médicos têm esperanças de que os anticorpos que combatem o vírus no sangue ajudem o médico de 51 anos, Rick Sacra.

O comércio ilícito

Mas ao contrário da situação daqueles trabalhadores missionários dos EUA, os pacientes em nações afetadas pelo ébola estão a receber sangue através de canais impróprios. A venda ilegal pode levar à propagação de outras doenças, incluindo o VIH e outras doenças relacionadas com o sangue.

«Temos de trabalhar de forma muito estreita com os países afetados para travar o comércio no mercado negro de soro sanguíneo por duas razões», disse ainda Margaret Chan. «Não é só pegar em soro sanguíneo sem fazer as análises e os testes adequados, porque há outros vetores infeciosos para os quais é preciso olhar», acrescentou a diretora-geral da OMS.