Mas o surfista voluntário vivenciou também situações que o marcaram e o hão-de acompanhar para a vida. Em entrevista à ABC australiana, Simon Lewis recorda a vez em que assistiu impotente a um barco com 31 pessoas a bordo afundar-se. A equipa de voluntários e a guarda costeira grega nada puderam fazer, porque o barco com os refugiados estava em águas nacionais turcas e a embarcação salva-vidas estava em águas internacionais.

 

“É a natureza do salvamento humano. Colocamo-nos sempre em situação que nos permita evitar que as pessoas se afoguem. Mas quando estamos com os movimentos limitados porque estamos em risco de entrar em águas não internacionais e não podemos fazer nada em relação a isso”, contou.

Mas Lewis tem um manancial de histórias para contar. Os 10 quilómetros de mar que separam o porto de Ayvalik, na Turquia, da Grécia são extremamente perigosos e os sírios que querem chegar à Europa estão dispostos a tudo.

 

Enquanto as embarcações estão em águas turcas, os voluntários só podem agir se os barcos com os refugiados estiverem em processo de naufrágio. Caso contrário, serão acusados de tráfico humano e de introduzir ilegalmente pessoas na Grécia.

 

Lewis recorda o desespero de uma mãe, que estava disposta a atirar o filho bebé do barco onde estava, para o barco dos voluntários, para que o levassem, pelo menos a ele, para a Grécia. “Percebemos que estava disposta a fazê-lo mesmo. A atirar-nos o filho. Então, tivemos de nos afastar, de modo a que ficasse alguma distância entre nós e eles. Ver a cara dela deixou-me de coração partido”, recorda.

 

Mas o voluntário australiano também recorda rostos de alívio, depois de serem salvos. Como o do jovem refugiado aos comandos do barco. “Viu-se na obrigação de conduzir o barco. E nunca tinha conduzido um barco na vida”, conta.

 

“Lembro-me de me ter aproximado do barco e tê-lo olhado nos olhos. Ele olhou-me nos olhos e, de repente, o rosto dele voltou a ter cor. Era o rosto do alívio.”