Numa pequena vila na Republica Dominicana uma concentração anormal de crianças com uma mutação genética rara está a intrigar os cientistas: na região uma em cada 90 crianças nasce aparentemente rapariga, desenvolvendo órgãos genitais masculinos na adolescência.

Cerca de dois por cento dos bebés em Salinas nascem com a condição, que se desenvolve nos fetos durante a gravidez por falta de uma enzima. Isto significa que as crianças são criadas como raparigas até ao aparecimento do pénis, no início da puberdade. Esta é uma mutação tão frequente que é apelidada na região de “Guevedoces”, que significa “pénis aos 12 anos”.

De acordo com a BBC, que vai fazer um programa sobre a condição, este processo complexo de transição de sexo é normal na vila, mas pode correr mal.

Uma das crianças que vai contar a sua história no programa é Johny, que nasceu e foi criado como Felicity, até desenvolver órgãos genitais masculinos. Agora, aos 24 anos, garante que se sente confortável enquanto homem e que sempre se sentiu como um rapaz, apesar de toda a vida os médicos terem sido incapazes de determinar qual o seu sexo.

“Eu ia à escola e costumava usar a minha saia, mas nunca gostei de me vestir como uma menina. Quando me traziam brinquedos para raparigas eu nem brincava com eles. Quando via um grupo de rapazes eu parava na rua e ia jogar à bola com eles”.


A condição foi descoberta nos anos 70, quando um cientista visitou a ilha e se apercebeu que, ao contrário de maior parte dos fetos, que costumam desenvolver os órgãos sexuais às oito semanas, as crianças em Salinas só se desenvolviam completamente na puberdade, com altos níveis de testosterona.

Muitas características da mutação são ainda um mistério, mas pensa-se que o número de pessoas afetadas seja tão grande na ilha devido ao seu isolamento.