O ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Didier Reynders, revelou este domingo que Salah Abdeslam estaria a planear "qualquer coisa" em Bruxelas. O governante sublinhou que, durante as investigações iniciais, foram encontradas muitas armas, "armas pesadas" e, recentemente, havia uma nova rede criminosa à sua volta na capital belga. 

"Ele estava pronto para começar qualquer coisa em Bruxelas e isso pode ser mesmo verdade porque foram encontradas muitas armas, armas pesadas, nas primeiras investigações e descobrimos que havia uma nova rede à sua volta em Bruxelas."

Didier Reynders, que falou durante o Fórum de Bruxelas, uma conferência anual que é organizada pelos Estados Unidos, acrescentou que a polícia continua a procurar suspeitos de envolvimentos nos ataques de Paris, que provocaram a morte a 130 pessoas.

"Temos a certeza que neste momento já descobrimos mais de 30 pessoas envolvidas nos ataques terroristas de Paris, mas sabemos que há outros."

As declarações de Reynders surgem um dia depois de o procurador de Paris, François Molins, ter afirmado que Abdeslam teve um "papel central" no planeamento dos ataques que abalaram a capital francesa em novembro do ano passado. 

Já este domingo, o advogado do suspeito anunciou que vai apresentar queixa contra o procurador de Paris, que no sábado também revelou à imprensa partes do interrogatório a Abdeslam.

François Molins disse que na noite dos atentados Abdeslam “queria fazer-se explodir no Stade de France [estádio de futebol]”, mas “fez marcha atrás”.

“A leitura de parte da audição de Abdeslam em conferência de imprensa constitui uma violação”, disse o advogado do suspeito, Sven Mary, ao diário belga Le Soir, acrescentando que vai apresentar queixa na segunda-feira.

A França fez saber que destacou forças suplementares para o controlo de fronteiras, anunciou sábado o ministro do Interior, considerando "extremamente elevado" o risco de ameaça após a detenção de um suspeito dos atentados de Paris.

Recorde-se que Salah Abdeslam foi ferido e detido na passada sexta-feira em Bruxelas, numa megaoperação das autoridades belgas em conjunto com as autoridades francesas.