A despedida de Herman van Rompuy de presidente do Conselho Europeu ficou marcada, esta terça-feira, pelo insulto de um eurodeputado do grupo eurocético britânico da Europa das Liberdades e da Democracia Direta (EFDD). Paul Nuttal comparou Rompuy a «Ali, o cómico», um dos colaboradores mais próximos do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.

«Como ministro iraquiano, foi uma desilusão sem precedentes, algo similar a si», acusou Paul Nuttal, dirigindo-se a van Rompuy.

O eurodeputado referia-se a Mohammed Saeed al-Sahhaf, que alcançou fama mundial na época da invasão de 2003 liderada pelos EUA no Iraque, servindo como ministro da informação de Saddam. Foi apelidado de «Ali, o cómico» pela sua negação em relação ao facto de as tropas americanas estarem a invadir, rapidamente, o país. Nuttall disse que ele «foi delirante ao ponto de negação», à semelhança de Rompuy.





A comparação não caiu bem entre os presentes. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse que a declaração ia «para além dos limites do que é aceitável numa discussão parlamentar», cita o «Huffington Post».

«Você não pode comparar o presidente do Conselho Europeu ao ministro da informação de uma ditadura brutal», insistiu. «Por favor, posso pedir-lhe para ficar quieto. Caso contrário, vou ser obrigado, como presidente do parlamento, a impor sanções».

Nuttall acrescentou que, como presidente do Conselho, Van Rompuy tinha «ajudado a destruir a democracia na Grécia e na Itália» por «remover os primeiros-ministros eleitos», substituindo-os por «marionetes» da Comissão Europeia.