O grupo de contacto para a crise ucraniana lamentou «a falta de boa vontade» dos separatistas pró-russos para manterem o diálogo, indicando que uma videoconferência pedida pelo Ocidente e prevista para terça-feira não se realizou.

«Infelizmente, uma videoconferência com os separatistas, prevista para terça-feira, não se realizou», indica um comunicado do grupo de contacto, publicado no site da Organização de Cooperação e Segurança na Europa (OSCE).

«Isto mostra a falta de boa vontade dos separatistas para iniciar conversações substanciais sobre um cessar-fogo que possa ser mutuamente aceite», acrescenta.

O grupo de contacto tripartido integra a OSCE, Ucrânia e Rússia.

A União Europeia vai estudar a adoção de novas sanções contra a Rússia, na cimeira esta quarta-feira em Bruxelas, quando se regista um agravamento das tensões no leste da Ucrânia e as autoridades de Kiev receiam uma invasão russa.

De acordo com uma fonte diplomática, os Estados-membros prepararam um conjunto de novas medidas, nomeadamente o congelamento de programas na Rússia desenvolvidos pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD).

A mesma fonte acrescentou estarem a decorrer conversações para «juntar novos nomes à lista das sanções».

Os Estados Unidos também indicaram na terça-feira à noite a possibilidade de agravarem unilateralmente as sanções que impuseram à Rússia.

Kiev pediu na terça-feira novas sanções europeias contra a Rússia, acusada de apoiar os separatistas.

«O agravamento da situação na região de Donbass, as numerosas provas do envolvimento da Rússia nos combates dão cada vez mais razões para passar à fase três das sanções para contrariar a agressão russa», declarou o porta-voz da diplomacia ucraniana, Vassyl Zvarych, em conferência de imprensa.

A UE proibiu, até aqui, a atribuição de vistos e congelou os bens de cerca de 60 personalidades russas e ucranianas implicadas na escalada do conflito entre os dois países, mas sem impor sanções económicas de envergadura contra setores, uma etapa conhecida em Bruxelas como a fase três.

Os combates e bombardeamentos na zona de Lugansk, localidade com perto de 500 mil habitantes, causaram 12 mortos, nas últimas 24 horas, e mais de 60 feridos entre a população civil, de acordo com o serviço de imprensa da «república popular de Lugansk» autoproclamada.

A câmara de Lugansk decretou na terça-feira três dias de luta, na sequência «da morte de 17 civis em três dias».

Desde o início da «operação antiterrorista», as baixas do exército ucraniano elevam-se a 258 mortos, 922 feridos e 45 soldados feitos prisioneiros, informou na terça-feira o serviço de imprensa.