Atualizado às 16:53

Separatistas pró-russos abateram um avião militar ucraniano, causando vários mortos, na cidade de Lugansk, no leste do país, informou hoje o Ministério da Defesa.

«Os terroristas cínica e traiçoeiramente abriram fogo com uma metralhadora de alto calibre contra um Ilyushin-76 da força aérea ucraniana que transportava soldados e se preparava para aterrar no aeroporto de Lugansk», indicou o ministério ucraniano em comunicado.

Vladislav Selezniov, o porta-voz do Governo ucraniano, já veio dizer que «agora, de forma preliminar, podemos falar de 49 mortos».

O avião militar, um Ilyushin-76, transportava um grupo de soldados, destacados para render outros.

Segundo a agência ucraniana TSN, o avião transportava 40 paraquedistas da 25.ª Brigada Aerotransportada de Dnepropetrovsk, além da tripulação, formada por nove elementos.

Lugansk, que se situa perto da fronteira russa, é a principal cidade de uma de duas regiões do leste da Ucrânia atingidas por uma onda de violência separatista que autoproclamou a sua independência de Kiev.

Pelo menos 270 pessoas, entre soldados ucranianos, separatistas e civis, foram mortas na operação «antiterrorista» lançada, a 13 de abril, para eliminar o levantamento armado separatista nas regiões pró-russas de Lugansk e de Donetsk.

Nos últimos dias, os combate no sudeste da Ucrânia intensificaram-se, depois de um breve hiato no meio da semana, aparentemente motivado por esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito armado entre as forças do Governo e os separatistas.

O Ministério da Defesa ucraniano informou, na sexta-feira, a destruição de três colunas formadas por 40 terroristas na localidade de Stepánovka, na região de Donetsk.

Rússia forneceu tanques e armas para separatistas na Ucrânia, confirmam EUA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que a Rússia forneceu tanques e armamento pesado aos separatistas na Ucrânia, manifestando preocupação por Moscovo estar a apoiar aqueles grupos.

De acordo com uma porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Marie Harf, nos últimos três dias entraram na Ucrânia, através da localidade de Snizhne, vários tanques e outros veículos com capacidade bélica.

«Estamos muito preocupados com os esforços da Rússia em apoiar os separatistas», afirmou a porta-voz, que qualificou esta movimentação de armamento de «intolerável», avisando que a Rússia sofrerá «novas consequências».

França e Alemanha expressam a Putin preocupação

François Hollande e Angela Merkel também já expressaram hoje «grande preocupação» por «prosseguirem os combates na Ucrânia», numa conversa telefónica ao início da tarde com Vladimir Putin, anunciou a Presidência francesa em comunicado.

O chefe de Estado francês e a chanceler alemã «expressaram a sua grande preocupação face ao continuar dos combates no leste da Ucrânia, em particular depois do ataque que provocou a morte de 49 soldados do exército ucraniano», segundo o comunicado.