Pelo menos quatro soldados ucranianos morreram e 25 ficaram feridos nos ataques realizados pelos separatistas pró-russos já depois da entrada em vigor do cessar-fogo, garante Kiev.
 
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, foram contabilizados 112 ataques em 24 horas. O exército admite ter respondido de volta aos rebeldes.
 
«Estamos a cumprir o cessar-fogo, mas infelizmente houve 112 ataques dos terroristas em Donetsk e Lugansk», disse Pavlo Klimkin, citado pela Reuters.
 
O maior foco de tensão ainda é Debaltseve, área controlada pelos militares ucranianos, mas cercada pelos separatistas pró-russos.
 
Um porta-voz do exército ucraniano assegura que os combates pararam às primeiras horas de domingo, mas o cenário tem mudado.
 
«Grupos armados ilegais não estão a cumprir o cessar-fogo. O número de ataques tem estado a aumentar e estão a usar todo o tipo de armas. Os terroristas receberam a ordem de conquista a cidade, custe o que custar», afirmou Anatoly Stelmakh, acrescentando que os separatistas estão a usar rockets e tanques.
 
Segundo o correspondente da Reuters que está em Vuhlehirsk, a 10 quilómetros da cidade de Debaltseve, ouve-se artilharia pesada e explosões a cada 10 segundos.
 
O acordo alcançado em Minsk refere que Kiev e os rebeldes, dois dias após a entrada em vigor do cessar-fogo, devem começar a retirar as suas armas pesadas a partir da linha da frente. Ou seja, à meia-noite desta terça-feira, é suposto o cessar-fogo ser consolidado.
 
O líder dos rebeldes garante que os separatistas estão prontos para retirar as suas armas pesadas da linha da frente, mas só se Kiev fizer o mesmo. No entanto, outro porta-voz do exército ucraniano avisa que isso não vai acontecer, porque os separatistas estão a violar o cessar-fogo.
 
«O pré-requisito para a retirada das armas pesadas é o cumprimento do primeiro ponto dos acordos de Minsk: o cessar-fogo. 112 ataques não são um indicador de cessar-fogo. Neste momento, não estamos preparados para retirar as armas pesadas», explicou Andriy Lysenko.

«Frank Sinatra russo» na lista de novas sanções

Um famoso cantor que apoiou a anexação da Crimeia é o nome mais conhecido na lista de novas sanções impostas pela União Europeia à Rússia, que foi publicada esta segunda-feira.

A publicação da lista no Jornal Oficial da UE caiu mal em Moscovo, uma vez que acontece um dia depois da entrada em vigor do cessar-fogo.

Na lista aparecem 19 pessoas e nove organizações, que ficam com os bens congelados e proibidas de viajar pelo espaço europeu.

Joseph Kobzon, de 77 anos, e conhecido como o Frank Sinatra russo, está na lista porque «visitou a auto-designada República Popular de Donetsk e, durante a visita, fez declarações a apoiar os separatistas», escreve o jornal.

Na lista também estão dois vice-ministros da Defesa russos: Arkady Bakhin e Anatoly Antonov. Ambos apoiaram a deslocação de tropas russas para a Ucrânia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo diz que Moscovo vai responder «adequadamente» às novas sanções, sublinhando que estas não ajudam à resolução do conflito.