Notícia atualizada às 18:25

Tropas ucranianas estacionadas numa base em Simferopol, na Crimeia, estão a ser atacadas por forças russas que já mataram um soldado e feriram um capitão avançou a Interfax.

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«Um militar foi ferido no pescoço e na clavícula. Agora estamos barricados no segundo andar. A base foi tomada e o nosso comandante raptado. Eles querem que baixemos as armas, mas não temos intenções de nos render», disse um porta-voz dos militares ucranianos.

O militar ferido acabou por não resistir e acabaria por sucumbir aos ferimentos.

«Estamos a ser atacados. Temos cerca de 20 militares aqui e 10 a 15 outras pessoas, incluindo mulheres», contou um militar não identificado ao «Canal 5». Este ultimo também confirmou o ferimento do militar mencionado pelo porta-voz ucraniano.

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Segundo a agência «O Globo», num incidente separado, cerca de 30 membros das forças, autoapelidadas, de «autodefesa» da Crimeia entraram num complexo de prédios onde vivem as famílias dos militares ucranianos e levaram o comandante local.



O primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, já reagiu aos ataques que estão a acontecer na península, e garantiu que as conversas com a Rússia já passaram do político para o militar. Yatsenyuk também acusou as tropas russas de dispararem sobre militares ucranianos.

«Soldados russos dispararam sobre militares ucranianos. Isto é um crime de guerra».

A baixa registada na base militar já levou o Ministério da Defesa da Ucrânia a afirmar que as suas forças militares estão «autorizadas a usar armas».

«Para sua legítima defesa e a proteção das suas vidas, os militares ucranianos destacados na república autónoma da Crimeia estão autorizados a usar armas», afirmou o Ministério da Defesa, num comunicado citado pela agência France Presse.

Também o presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchinov, reagiu aos novos acontecimentos e acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de agir como a Alemanha nazi ao «anexar» a península ucraniana da Crimeia.

«A Rússia está a jogar um jogo sujo ao anexar a Crimeia. A II Guerra Mundial começou com a anexação pela Alemanha nazi dos territórios de outros países. Hoje, Putin está a seguir o exemplo dos fascistas do século XX», disse Turchinov à imprensa em Kiev, citado pela agência France Presse.

Esta terça-feira, Vladimir Putin discursou para uma multidão na «Praça Vermelha», em Moscovo, após a assinatura de um tratado bilateral para a integração daquela república autónoma na Rússia, onde elogiou o «regresso» da Crimeia à sua pátria.

«A Crimeia e Savastopol estão de regresso à sua costa mãe, ao seu porto, à Rússia!», exclamou Putin perante uma multidão que cantava «Putin» e «Rússia».

O grito «Glória à Rússia» terminou o discurso de Putin.