No mesmo dia em que os combates entre as tropas governamentais e os separatistas atingiram um nível raramente visto desde o cessar-fogo de fevereiro, o presidente ucraniano fez um aviso dramático no Parlamento, em Kiev:

Os militares da Ucrânia têm de estar prontos (...) para  uma invasão em larga escala ao longo de toda a fronteira com a Federação Russa. Temos mesmo de estar preparados para isto.

Os deputados parecem ter levado a sério o alerta do presidente. Nesta mesma quinta-feira, aprovaram uma lei que autoriza a entrada em território ucraniano de forças de manutenção de paz estrangeiras, sob a liderança das Nações Unidas ou da União Europeia.

Esta proposta foi apresentada pelo partido que está no poder, pelo que pode muito bem significar que o governo de Kiev está a ponderar um pedido de auxílio militar direto ao Ocidente. No mínimo, é um aviso a Moscovo, que continua a negar a presença de tropas russas em território ucraniano. Por seu lado, o governo da Ucrânia garante que há 9.000 soldados russos dentro das suas fronteiras.

Certo é que, nesta quinta-feira, houve uma escalada nos combates, e a culpa parece ser dos separatistas. Observadores da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) relataram que os rebeldes levaram armamento pesado para a frente de conflito ainda antes de este se ter reacendido. Todas as tentativas de contactar os comandantes separatistas se têm revelado infrutíferas.

Pelo menos 21 pessoas morreram, cinco das quais eram civis. Os principais combates estão a dar-se junto das cidades de Maryinka e Krasnohorivka, que estão mesmo no limite da área sob controlo governamental.

A União Europeia já avisou que serão impostas novas sanções à Rússia se o acordo de Minsk não for respeitado. 

Por seu lado, Moscovo responsabilizou o executivo ucraniano por um eventual fim do cessar-fogo, já que aquele, segundo os russos, se recusa a negociar com os rebeldes.