Pelo menos 18 civis morreram em ataques na zona leste da Ucrânia entre sexta-feira e este sábado, horas antes do cessar-fogo que entra em vigor às 00:00 de domingo (hora local), segundo militares ucranianos e rebeldes separatistas.

«O inimigo continua a bombardear cidades sem consideração», assinala um elemento do quartel-general das forças ucranianas, citado pela agência EFE, afirmando que nas últimas 24 horas pelo menos 14 civis morreram por fogo de artilharia lançado pelos separatistas.

Por seu lado, o número dois das milícias pró-russas disse que, no mesmo período de tempo, na cidade de Donetsk, morreram quatro civis por ataques ucranianos.

Segundo o comando militar de Kiev, as forças separatistas tentaram esta madrugada tomar as posições das tropas governamentais na cidade de Debáltsevo, ponto estratégico de comunicação localizado na estrada que liga Donetsk e Lugansk, cidades controladas pelos pró-russos.

Fortes bombardeamentos rebeldes foram registados também este sábado na cidadede Debaltseve. «Os rebeldes estão a destruir a cidade de Debaltseve. Há constantes bombardeamentos de artilharia em áreas residenciais e edifícios. A cidade está em chamas», afirmou no Facebook o chefe da polícia pró-Kiev Vyacheslav Abroskin.

Segundo a mesma fonte, o comando da polícia da cidade foi atingido por um roquete Grad.

O presidente ucraniano, Petro Porochenko, anunciou que vai falar este sábado ao telefone com a chanceler alemã, com o presidente francês e depois com o presidente norte-americano.

A conversa com a alemã Angela Merkel e com o francês François Hollande deverá ocorrer às 15:00 (hora de Lisboa) e a que está agendada com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, será às 17:00 (hora de Lisboa), segundo disse Petro Porochenko num discurso diante dos guardas de fronteira que foi transmitido em direto na televisão e noticiado pela AFP.

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir domingo em sessão de emergência para reforçar o acordo de cessar-fogo acordado em Minsk.

De acordo com a agência AFP, o Conselho de Segurança deverá aprovar uma resolução apresentada pela Rússia, instando todas as partes a aplicar o acordo de cessar-fogo.

Ban Ki-moon, o Secretário-Geral das Nações Unidas, apelou a todas as partes para assumirem os seus compromissos e terminarem um conflito de 10 meses em que, pelo menos, 5.300 pessoas já morreram e onde mais de um milhão foi expulsa das suas casas.