Última atualização às 11h50

É suposto chegar esta sexta-feira a um acordo de cessar-fogo entre a Ucrânia e os separatistas pró-russos, mas ouvem-se tiros e fogo de artilharia desde madrugada a noroeste de Donetsk, perto do aeroporto da cidade, no leste da Ucrânia, bem como a leste do porto de Mariupol. As conversações para o acordo de paz, que decorrem em Minsk, tiveram início depois das 11:30.

As forças ucranianas foram mobilizadas, com ordem para repelir uma grande ofensiva levada a cabo pelos rebeldes pró-russos para tomar Mariupol, uma cidade portuária, com 500 mil habitantes, que é muito importante no que toca às exportações de aço e fica a meio caminho entre a Rússia e a região da Crimeia.

«A nossa artilharia está a ser implantada contra os rebeldes pró-russos», confirmou o autarca de Mariupol, Yuri Khotlubey, em declarações à emissora ucraniana 112 TV.

Enquanto isso, a própria Reuters testemunhou o descarregamento de artilharia a alguns quilómetros do leste do centro.

Os próprios separatistas pró-russos já vieram dizer que entraram, sim, em Mariupol. Em resposta, as forças ucranianas dizem que ainda mantêm o controlo da cidade.

«Foi um rocket russo, sabemos que foi»

Durante toda a madrugada, o cenário foi de guerra e não de iminente paz, como confirmou, igualmente, um comandante de uma milícia voluntária ucraniana baseada em Mariupol.

Os separatistas pró-russos adiantaram à agência de notícias Interfax que cerca de 50 soldados ucranianos foram mortos ou feridos nos combates naquela região na quinta-feira e três deles ficaram reféns.

«Foi um rocket russo, nós sabemos que foi a partir das suas marcas», disse um médico do exército ucranian, que revelou o fragmento de uma bomba que terá matado uma mulher e duas crianças ali perto.

Um soldado ucraniano de nome Mykola falou com a Reuters sobre a «traição» que, no seu entender, seria assinar um acordo de paz neste momento: «Se ele [o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko] avançar com um plano de paz, então todos estes mortos, feridos e exilados, todas as casas incendiadas e empregos perdidos, todo o dinheiro perdido, foi tudo em vão».

Na sua cabeça, o que tem de acontecer é uma vitória clara da Ucrânia: «Devemos derrotá-los e, em seguida, falar de paz».

O ambiente é de tensão, o que provam outras notícias que opõem os países rivais, como o facto de a Rússia ter acabado de proibir as importações agro-alimentares de duas empresas ucranianas (Konti e AVK).

Ao final do dia de quinta-feira, a NATO não expressou qualquer dúvida de que «a Rússia está a atacar a Ucrânia».

O presidente ucraniano também falou aos jornalistas no final da cimeira, anunciando que vai pedir hoje um cessar-fogo, se for conseguido um acordo de paz, em Minsk, para acabar com o conflito.

«Precisamos de duas coisas para haver paz: que a Rússia retire as suas tropas e que feche a sua fronteira», afirmou.

A Casa Branca anunciou que Obama e os líderes da Alemanha, França, Inglaterra e Itália concordaram que a Rússia deve enfrentar «custos pesados» pelas suas ações.

Já hoje, o Reino Unido frisou que Putin sabe que há uma «linha vermelha» na NATO que ele está a ultrapassar. Se o cessar-fogo avançar a sério, as novas sanções apontadas a Moscovo poderão ser levantadas.

Balanço: 2.000 soldados russos mortos, diz Ucrânia

Cerca de 2.000 soldados russos terão já sido mortos desde o início da ofensiva, segundo as contas do porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, que ainda não foi possível confirmar por uma entidade independente.

 

A ONU colocou o número total de mortos no conflito, que eclodiu em abril, em mais de 2.600 pessoas.