A Rússia testou “mais de 200 novos tipos de armas” na Síria, disse um general russo, numa altura em que Moscovo é acusado de participar nos recentes bombardeamentos contra o enclave rebelde de Ghouta Oriental, perto de Damasco.

O general russo em questão é Vladimir Chamanov, um ex-comandante das tropas paraquedistas russas que assume atualmente o cargo de deputado e lidera a comissão parlamentar para a Defesa.

“Ao ajudar o nosso povo irmão sírio, testámos mais de 200 novos tipos de armas”, declarou Vladimir Chamanov, diante da Duma (câmara baixa do parlamento russo), citado pelo ‘site’ do partido no poder Edinaïa Rossiïa.

“Isso mostrou ao mundo inteiro a eficácia das armas russas”, frisou o deputado, durante um discurso feito por ocasião do “Dia dos Defensores da Pátria”, data assinalada na Rússia na sexta-feira.

O general russo não precisou os tipos de armas, nem quando e onde foram testados.

A Rússia, o principal aliado internacional do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, foi acusada esta semana pela diplomacia norte-americana de constar “entre os responsáveis” pelos violentos bombardeamentos contra o enclave rebelde de Ghouta Orienta, que fizeram mais de 380 mortos nos últimos cinco dias.

Na quarta-feira, o Kremlin (Presidência russa) negou qualquer envolvimento nos raides aéreos contra Ghouta Oriental, o último grande bastião da oposição ao Presidente sírio perto da capital síria.

"Aqueles que são responsáveis pela situação em Ghouta Oriental são aqueles que apoiam os terroristas que ainda lá estão. Como sabem, nem a Rússia, nem a Síria, nem o Irão, fazem parte desta categoria de países”, reiterou hoje o Kremlin.

Dois novos caças russos, os SU-57 de quinta geração, foram mobilizados na quarta-feira para a Síria, segundo um grupo de analistas russo identificado como "Conflict Intelligence Team" e o diário russo Kommersant, citando fontes anónimas.

Esta informação não foi confirmada pelo Ministério da Defesa russo.

A Rússia começou a intervir militarmente na Síria em setembro de 2015 como apoio ao exército de Bashar al-Assad. Em dezembro passado, o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a retirada parcial das tropas de Moscovo do território sírio, afirmando então que a missão do exército russo estava realizada.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 350 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.