A editora chefe do website de notícias russo, Lenta.ru, foi despedida esta quarta-feira e substituída por um editor de um site «pró-Kremlin», uma alteração que está a ser apontada como mais uma tentativa do governo russo de controlar os media.

Galina Timchenko foi editora do «Lenta» durante dez anos, e agora substituída por Alexei Goreslavsky. O seu despedimento já gerou uma «chuva» de demissões na redação do site de notícias.

Segundo o «Wall Street Journal», uma declaração assinada por 60 jornalistas do Lenta.ru, publicada na página, diz que o despedimento de Timchenko é uma forma de «pressão direta» nas políticas e pessoal do site.

A demissão da editora chega um dia depois de as autoridades russas terem repreendido a direção devido à publicação de uma entrevista a Dmytro Yarosh, líder de um movimento ucraniano de direita, que Moscovo e os media pró-Kremlin consideram fascista e neo-Nazi.

A substituição de Timchenko por Goreslavsky foi anunciada num breve comunicado que apenas informava o público da decisão tomada por Alexander Mamut, o bilionário detentor do «Lenta».

Dunja Mijatovi, o representante para a liberdade dos media da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OESC), já condenou o despedimento, a que chamou de «sinal claro» de pressão governamental.

Esta não é a primeira substituição polémica dentro dos media russos. Em fevereiro último, a gigante Gazprom-Media, que detém a rádio Ekho Moskvy, também substituiu o seu editor chefe que depois acusou a direção de tentar influenciar as suas políticas editoriais.

Também a editora da agência de notícias russa RIA Novosti, Svetlana Mironyuk, foi substituída, em dezembro, pelo pró-Kremlin Dmitry Kiselyov, um apresentador conhecido pela sua posição anti-ocidente e pelos comentários anti-gay.