Aviões militares russos bombardearam, esta quarta-feira, um campo de rebeldes na Síria, que tinham sido treinados pela agência de inteligência norte-americana CIA para enfrentar o Estado Islâmico e o governo de Bashar al-Assad.

O líder do grupo confirmou que os ataques russos caíram sobre as cidades de Hama e Homs, no oeste da Síria, áreas maioritariamente controladas por milícias que lutam contra Assad e o Estado Islâmico (EI), e são apoiadas pela coligação internacional.

A Rússia garantiu que atacou posições do EI, porém, Hassan Haj Ali, líder do grupo Liwa Suquor al-Jabal, disse que um dos alvos foi a base rebelde do seu grupo, na província de Idlib, que foi alvo de 20 mísseis em dois ataques separados.

Estes rebeldes foram treinados pela CIA no Qatar e Arábia Saudita, como parte do programa dos EUA para enfrentar ao mesmo tempo o Estado islâmico e o Governo de Assad.

“A Rússia está a desafiar toda a gente, afirmando que não há alternativa a Bashar al- Assad”, disse Hassan Haj Ali.


Com estes desenvolvimentos, o envolvimento da Rússia e dos EUA pode seguir dois caminhos diferentes no que toca à Síria. É a primeira vez que as duas nações se envolvem militarmente no mesmo país desde a Segunda Guerra mundial, porém com aliados diferentes, esta pode ser a primeira vez desde a Guerra Fria que os dois países apoiam lados opostos.

Os EUA querem ajudar a derrotar o Estado Islâmico e restaurar a paz na Síria, mas não querem que Bashar al-Assad continue à frente do governo. Já a Rússia considera que Assad deve fazer parte da solução, e que será mais fácil derrotar o Estado Islâmico com a sua ajuda.

Neste segundo dia de ataques aéreos, a Rússia diz ter lançado oito ataques com aviões Sukhoi, atingindo quatro alvos do Estado Islâmico. No entanto, apenas um dos locais é controlado pelo EI.

A televisão libanesa Al-Mayadeen avança que foram realizados 30 aaques aéreos, mas contra os rebeldes conhecidos como “Exército da Conquista”, uma coligação que inclui a Frente Nusra e o braço da al-Qaeda na Síria.
 
O canal confirma apenas que os aviões russos atacaram posições do EI em Raqqa, uma província do este.
 
Já o ministro da Defesa da Rússia diz que os aviões russos destruíram um armazém de munições perto de Idlib, um posto de comando no centro de Hamma e uma fábrica de carros bomba no norte de Homs.
 
 

Tropas iranianas chegam à Síria

 
Entretanto, centenas de tropas iranianas chegaram à Síria para ajudar as forças de Bashar al-Assad, que vão combater os rebeldes e o Estado Islâmico.

Fontes libanesas confirmaram à Reuters que tropas iranianas têm chegado à Síria nos últimos 10 dias, com armamento suficiente para lançar uma ofensiva terrestre de larga escala. Estas forças serão apoiadas pelos aliados libaneses do Hezbollah, milícias xiitas do Iraque, e pela Rússia (através dos ataques aéreos).

“As forças iranianas terrestres começaram a chegar à Síria: soldados e oficiais especificamente para participar nesta batalha. Não são conselheiros, são centenas com equipamento [militar] e armas. Outros vão chegar”, disse a fonte, que pediu para ficar anónima.