A Ucrânia acusou as forças russas que ocupam a Crimeia de dispararem contra um avião ucraniano que fazia um reconhecimento junto do canal que une o mar Negro à Ucrânia.

Uma declaração emitida pelo serviço de fronteiras diz que o avião estava a patrulhar a região, esta quinta-feira, quando foi atacado por um «posto de vigia russo perto de Armyansk. Houve disparos claros de um APC (carro armado)».

Segundo a Reuters, a declaração não faz referência aos danos causados na aeronave, mas referiu que esta estava desarmada durante a missão de reconhecimento.



Apesar das acusações, a Rússia continua a afirmar que as tropas que ocupam a Crimeia neste momento são autoridades de «autodefesa» locais e não russas.

A notícia é avançada no mesmo dia em que o embaixador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europoa (OSCE), Thomas Greminger, afirmou que a Rússia apoia uma missão de monotorização na Ucrânia, incluindo na Crimeia.

«A Federação Russa apoiou a ideia de uma aprovação rápida, e o rápido envio, de uma missão especial de monotorização na Ucrânia», disse Greminger, declarações que classificou como um possível «grande passo em frente» na crise atual.

Já os Estados Unidos e a União Europeia continuam a avisar a Rússia que vão tomar passos sérios se o referendo na Crimeia, marcado para este domingo e que vai «decidir» a integração da península na Federação Russa, realmente avançar.

Segundo a Reuters, o secretário de estado dos EUA, John Kerry, espera ter de evitar tais resoluções e pede calma ao invés de «histerismos e preocupações excessivas», em relação à possibilidade de a Rússia poder invadir a Ucrânia.

«Se não existirem sinais de capacidade para seguir em frente para resolver este problema, haverão vários passos sérios tomados aqui e na Europa relativamente às opções disponíveis para nós», disse Kerry.

Jornalista francês detido na Crimeia

Entretanto, a agência Reuters avançou com a notícia da detenção de um jornalista francês na Crimeia, que foi já libertado.

David Geoffrion, do Canal+, estava na Ucrânia para realizar um documentário e foi detido por forças armadas pró-russas em Simferopol, segundo uma fonte a par da situação. O repórter esteve algumas horas preso, mas já foi libertado, segundo o Canal+.

O porta-voz dos Jornalistas sem Fronteiras já tinha avisado esta segunda-feira para a crescente violação dos direitos dos jornalistas na Crimeia, onde já dois repórteres ucranianos tinham sido presos.