O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, mostrou-se «preocupado» com a situação na Venezuela, garantindo estar a «acompanhar a situação» e as manifestações que, nas últimas seis semanas, já vitimaram pelo menos 34 pessoas.

«Ainda não temos informações precisas, mas não são, tanto quanto sabemos, cidadãos portugueses propriamente ditos, mas sim lusodescendentes, o que não significam que não mereçam a nossa atenção, mas a situação na Venezuela cria-nos alguma preocupação e estamos a seguir atentamente, não posso dizer mais nada», respondeu o ministro, à margem de um seminário em Lisboa sobre o acordo de comércio livre entre os Estados Unidos da América e a União Europeia, esta manhã em Lisboa.

No sábado, dois lusodescendentes foram detidos por funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), nas proximidades da Praça de Altamira, a leste de Caracas, onde decorriam protestos contra o Governo venezuelano.

Fontes da comunidade portuguesa local dão conta que José Gonçalves e José dos Santos fazem parte de um grupo de pelo menos 10 pessoas que foram detidas, entre elas uma jornalista.

No sábado, depois de uma numerosa «marcha pela liberdade», um grupo de manifestantes concentrou-se na praça de Altamira, epicentro das manifestações opositoras ao Governo, tendo sido dispersados por um grupo de 300 guardas nacionais, quanto tentaram bloquear a circulação na autoestrada Francisco Fajardo.

Sob o pretexto de que lhes tinham sido atirados objetos, os militares efetuaram uma rusga no edifício For You, onde, segundo o advogado Alfredo Romero, detiveram a filha do cônsul de Itália na Venezuela Geraldine Falcone.

De maneira violenta e provocando danos materiais, os militares entraram no apartamento da jornalista do diário venezuelano 2001, Mildred Manrique, a quem detiveram e confiscaram um computador e coletes à prova de bala que eram usados para fazer a cobertura dos protestos.

Desde há seis semanas que na Venezuela se registam diariamente protestos, em várias regiões do país, contra a insegurança, a escassez de produtos, a repressão policial e pela libertação de presos políticos que têm desencadeado situações de violência que já ocasionaram pelo menos 34 mortos e avultados danos materiais.

A última morte ocorreu no sábado no Estado de Mérida, 770 quilómetros a sudoeste de Caracas. Jesus Orlando Labrador Castiblanco, 39 anos, foi assassinado a tiro por encapuzados que atacaram os manifestantes e incendiaram um autocarro de passageiros. Sete pessoas ficaram feridas.

Nessa mesma localidade, o presidente da Câmara Municipal de Mérida, Alexis Ramírez, disse que foi agredido violentamente num semáforo por várias pessoas e que um dos seus atacantes era filho de um político local.

Por outro lado, um grupo dos milhares de manifestantes que marcharam no sábado em Táchira para exigir a libertação de Daniel Ceballos, presidente da Câmara Municipal de San Cristóbal (820 quilómetros a sudoeste de Caracas), atacou a residência do governador e a sede da governação daquele Estado.