O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, reiterou que o Governo «procurará escolher o momento mais adequado», sem especificar qual, para reconhecer o Estado da Palestina, como recomendou o parlamento em dezembro.

Intervindo esta terça-feira na abertura do seminário diplomático, em Lisboa, o ministro voltou a congratular-se com o «consenso alargado» a que o parlamento chegou, com uma proposta da maioria PSD/CDS-PP e do PS para recomendar ao Governo o reconhecimento do Estado palestiniano, e que «atesta bem a importância atribuída pelos proponentes à solução dos 'Dois Estados' democráticos e soberanos, coexistindo em paz».

«Tal como tive oportunidade de então afirmar na Assembleia da República, o Governo português é sensível a este apelo parlamentar e procurará escolher o momento mais adequado para proceder ao reconhecimento do Estado da Palestina, de modo a que esse ato possa facilitar a solução que se considera necessária para que israelitas e palestinianos convivam duradouramente de forma pacífica», afirmou Rui Machete, sem no entanto indicar qualquer prazo para tal.

No seu discurso, o governante sublinhou que o ano passado ficou «infelizmente marcado pelo impasse nas negociações relançadas por iniciativa norte-americana e pelo retorno da violência à Faixa de Gaza».

O país contribuiu financeiramente para a reconstrução da região, destruída pelo conflito entre Israel e a Palestina durante o verão passado, no âmbito da conferência de doadores que se reuniu no Cairo, Egito.

«Portugal tem defendido que ambas as partes devem voltar à mesa das negociações com urgência e que a União Europeia deve empenhar-se na prossecução desse objetivo, com vista a um acordo de paz duradouro e abrangente», sustentou o chefe da diplomacia portuguesa.

O Parlamento Europeu aprovou, a 17 de dezembro, uma resolução na qual «apoia, por princípio, o reconhecimento do Estado palestiniano», reafirmando o seu «apoio inequívoco» à solução de coexistência de dois Estados, Israel e Palestina.

Em outubro, a Suécia foi o primeiro país da União Europeia a reconhecer oficialmente o Estado da Palestina e, depois, os parlamentos inglês, espanhol, francês, irlandês e português recomendaram a mesma posição aos respetivos governos.