O ministro dos Negócios Estrangeiros manifestou-se hoje confiante de que a primeira cimeira bilateral entre Portugal e Angola vai realizar-se «em devido tempo» e garantiu que os problemas entre os dois países «não são insolúveis».

Sobre a cimeira entre os dois países - que foi anunciada em fevereiro deste ano pelo seu antecessor, Paulo Portas -, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou hoje que «a data ainda não foi acordada», mas sublinhou que «não parece que esteja condenada a não se fazer».

«Pelo contrário, tudo indica que em devido tempo, quando as coisas estiverem amadurecidas, se fará», garantiu, lembrando que «as cimeiras são uma conclusão de um trabalho de cooperação que se realiza ao longo do tempo».

No início de outubro, numa visita a Angola, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, anunciou que a cimeira se realizaria em fevereiro de 2014, mas dias depois o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou o fim da parceria estratégica entre Luanda e Lisboa.

Rui Machete, que falava no parlamento numa audição sobre o Orçamento do Estado para 2014, garantiu que «neste momento, as relações bilaterais e de cooperação decorrem num quadro de estabilidade e de normalidade».

«Não se trata de problemas que sejam insolúveis. A boa vontade e o interesse que reinam entre os dois povos vão permitir dinamizar de uma maneira maior do que ultimamente tem acontecido, as relações muito importantes que existem entre os dois países-irmãos», destacou.

Para exemplificar a normalidade das relações entre os dois países, o ministro referiu as recentes visitas a Angola da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e deputados, do ministro do Emprego e Solidariedade Social, do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, além de contactos com os ministros da Justiça e da Educação e prevendo-se ainda um encontro entre os ministros do Ambiente dos dois países.

Na sua intervenção, Machete comentou ainda a situação política na Guiné-Bissau, afirmando que Portugal está empenhado «no restabelecimento da democracia, na realização de eleições e no pós-eleições».

«Efetivamente é uma questão que põem à prova a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], organização regional de África que abrange a Guiné-Bissau, e os países da CPLP [Comunidade de Países de Língua Portugal]. Todos estão empenhados para que a Guiné possa rapidamente regressar a uma situação claramente democrática», referiu.