Portugal está a ponderar contribuir para o reforço da segurança na Líbia, no quadro do apoio internacional à transição política naquele país, disse à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

O Governo português será representado, na quinta-feira, pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, na conferência ministerial internacional de apoio à Líbia, que decorre em Roma, no âmbito da qual Portugal, tal como outros países, «foi consultado no sentido de prestar apoio ao nível da segurança na Líbia - nomeadamente no treino e formação das forças de segurança locais», indicou a mesma fonte do MNE.

O ministro irá acompanhado pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Fernando Alexandre.

Na sessão, responsáveis políticos de mais de 20 países - como Estados Unidos, China ou Rússia - e instituições - entre os quais a União Europeia, a Organização das Nações Unidas e a NATO, irão discutir as questões de segurança e o apoio à transição política na Líbia, que durante mais de 40 anos foi liderada por Muammar Kadhafi, morto em outubro de 2011.

Além destas matérias, o ministério informou que a presença do governante português no encontro se «insere também no quadro das relações com os países do Magrebe», que têm sido apontadas como uma aposta de Rui Machete.

Portugal copreside ao Diálogo 5+5, que reúne dez países a sul e a norte do Mediterrâneo ocidental, e vai acolher, ainda este semestre, uma cimeira deste mecanismo informal de diálogo.

Quanto à Líbia, Portugal tem interesse num bom relacionamento entre os dois países e quer ter uma palavra a dizer sobre aquela região, considerando fundamental a estabilização da situação política e social, que tem implicações em questões de segurança, no tráfico de seres humanos e nos fluxos migratórios para a Europa.

À margem da conferência, que decorre no Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano, Rui Machete terá um encontro bilateral com o primeiro-ministro líbio, Ali Zidan.

A primeira conferência de apoio à Líbia realizou-se em Paris em fevereiro do ano passado, tendo os aliados internacionais decidido ajudar as autoridades de Tripoli na área da segurança, de forma a reforçar o controlo das fronteiras e das armas que circulam naquele país.

Aliados reúnem-se para debater segurança e apoio político

Responsáveis políticos de mais de 20 países e instituições, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros português, reúnem-se na quinta-feira em Roma para debater as questões de segurança e o apoio político da Líbia.

A nova ministra dos Negócios Estrangeiros italiana, Federica Mogherini, é a anfitriã da segunda conferência ministerial internacional de apoio à Líbia, em que participarão o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, e a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a política de segurança, Catherine Ashton, entre outros.

Além de debater as questões de segurança na Líbia - matéria que dominou a primeira conferência de apoio, realizada no ano passado -, este encontro tratará também do apoio político a Tripoli.

Um dos objetivos da conferência internacional é precisamente o de reiterar o apoio internacional para a transição política líbia, em especial o diálogo e reconciliação interna.

Além de Portugal, outras presenças confirmadas incluem Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Suíça, Grécia, Bulgária, Dinamarca, Eslovénia, Suécia, China, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Egito, Tunísia, Qatar, Japão, que serão representados, na sua maioria, pelos responsáveis dos Negócios Estrangeiros.