O próximo passo da Rússia no teatro internacional será consolidar uma solução política para a Síria e o sinal de Moscovo é que União Europeia (UE) e Estados Unidos da América (EUA) não são atores prioritários na equação.

Numa cimeira em que convocou os presidentes de Irão e Turquia, Vladimir Putin, presidente russo, mostrou que alianças privilegia na hora de resolver a guerra civil que já dura há mais de seis anos e provocou a morte de mais de 330 mil pessoas.

Considerando a escala colossal de destruição, seria possível pensarmos juntos no desenvolvimento de um programa compreensivo para a Síria”, afirmou o líder do Kremlin, num apelo direto ao iraniano Hassan Rouhani e ao turco Recep Tayyip Erdogan, em Sochi, no sul da Rússia.

“Existe agora uma hipótese realista”, acrescentou Putin, aludindo à queda do autoproclamado Estado Islâmico em todas as cidades sírias que estavam sob controlo da organização terrorista e à fragilização dos grupos sírios opositores do regime de Bashar al-Assad, apoiado por Moscovo.

A tarefa, contudo, não é fácil, admitiu o líder russo.

É óbvio que o processo de reforma (...) implicará compromissos e concessões de todas as partes, incluindo, logicamente, do governo da Síria”.

Um aviso que não incomodará Assad, mesmo após uma inesperada reunião com Putin esta segunda-feira, também em Sochi.

Estamos preparados para o diálogo com todos aqueles que pretendam encontrar um acordo político”, referiu então o Presidente sírio. E Moscovo não deu mostras de querer retirar qualquer tipo de apoio.

Esta terça-feira, num telefonema com Donald Trump, presidente dos EUA, o líder da Rússia garantiu que Assad “confirmou o seu compromisso com o processo político, a condução de reformas constitucionais e eleições presidenciais e parlamentares”.

A permanência de Assad na cena política continua a ser uma força de bloqueio principal. Os grupos da oposição síria, reunidos numa cimeira paralela em Riade, capital da Arábia Saudita, reafirmaram que queriam o atual presidente sírio fora do poder, segundo o canal televisivo Al Arabiya.

A cimeira com o Irão e a Turquia acontece numa altura em que conversações de paz, apoiadas pelas Nações Unidas, irão recomeçar em Genebra, na Suíça, no final deste mês. E a decisão de procurar compromissos com Rouhani e Erdogan envia um recado a outros atores globais, casos dos EUA e da UE. Tal como escreveu o jornal britânico The Guardian, tratou-se de uma das movimentações diplomáticas da Rússia “mais audaciosas” das últimas décadas.

Esta sexta-feira, o enviado especial da ONU para a Síria estará em Moscovo para ser informado dos desenvolvimentos da reunião entre Putin, Rouhani e Erdogan. Staffan de Mistura será recebido por Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo.