As autoridades da Birmânia (Myanmar) negaram hoje a existência de novas valas comuns com cadáveres de muçulmanos de origem rohingya, quem têm sido forçados a procurar refúgio no Bangladesh devido à repressão dos militares birmaneses.

Uma investigação da Associated Press, assente em testemunhos de refugiados rohingya e em imagens captadas com telemóveis, denunciou esta semana a existência de cinco valas comuns na aldeia de Gu Dar Pyin, no estado occidental de Rakáin, onde terão sido enterradas 400 pessoas assassinadas pelo exército birmânes.

As autoridades da Birmânia negaram a acusação depois de uma inspeção que incluiu entrevistas com moradores, mas admitem continuar os esforços para apurar a verdade.

Os militares queixam-se, em contrapartida, de terem sido atacados por rohingya armados com catanas e armas improvisadas. Dezanove rohingya terão sido mortos em legítima defesa, alegam os militares.

Na quarta-feira, o enviado especial das Nações Unidas para os direitos humanos na Birmânia considerou que as operações violentas dos militares contra os muçulmanos de origem rohingya têm “características de um genocídio".

Quase 700.000 muçulmanos de origem rohingya fugiram das suas aldeias para o Bangladesh desde agosto devido à repressão dos militares birmaneses.

A comunidade internacional, sobretudo a ONU, tem exortado a líder do Governo birmanês, Aung San Suu Kyi, a terminar com as perseguições à minoria muçulmana, frequentemente descritas como uma “limpeza étnica”.

A Birmânia não reconhece a cidadania aos rohingya, que considera imigrantes bengalis, e sujeita-os a diferentes tipos de discriminação, incluindo restrições à liberdade de movimentos.