O comando que alega ter sido o responsável pela morte de Bin Laden, Robert O’Neill, afirmou, em declarações à Fox News, que a equipa dos SEAL enviada até à casa do líder talibã, no Paquistão, achava que aquela era uma missão suicida.

«Quanto mais treinávamos, mais percebíamos que esta ia ser uma missão de ida, sem regresso. Achávamos que íamos morrer quando a casa explodisse ou que íamos ser presos pelos paquistaneses e passar o resto das nossas vidas na prisão», afirmou.


A revelação de O’Neill foi feita durante a primeira parte da entrevista exclusiva emitida esta terça-feira pela Fox News. O comando já tinha sido entrevistado pela revista «Esquire» o ano passado, na altura identificado como «The Shooter» (O Atirador), mas esta foi a primeira vez que falou aos jornalistas sem recorrer ao anonimato. Recorde-se que a sua identidade foi confirmada há poucos dias pelo próprio pai, Tim O'Neill, ao «MailOnline». 

Segundo o antigo comando dos SEAL, o terrorista mais procurado do mundo morreu como «um cobarde», tendo utilizado a sua mulher mais nova como escudo humano. «Ele sabia que estávamos lá por causa dele e que íamos matá-lo», disse O'Neill.



Os serviços de inteligência norte-americanos conheciam bem a casa de Bin Laden e toda a operação terá sido estudada ao pormenor, de acordo com o antigo comando. Nessa noite, a 2 de maio de 2011, os soldados terão falado com a agente da CIA que andava atrás do terrorista - e que é retratada no filme «Zero Dark Thirty» - e esta ter-lhes-á dito: «se o quiserem matar, ele está no terceiro piso».

E foi mesmo nesse terceiro piso da residência que O'Neill terá disparado sobre a cabeça de Bin Laden. «O meu primeiro pensamento foi 'já o temos, já acabámos a guerra'. Se havia luz suficiente eu fui definitivamente a última pessoa que ele viu».



O'Neill revelou ainda que a administração de Barack Obama terá considerado realizar a operação em conjunto com as forças militares do Paquistão, mas terá abandonado a ideia com receio de que os paquistaneses não guardassem a missão em segredo.

 «Conseguimos o objetivo da missão e eu fiz parte disso. É algo com que tenho de viver todos os dias», referiu.