Sempre que chove muito em Paris aumenta o risco de novas inundações na cidade. Agora a Câmara Municipal vai realizar um simulacro para testar os meios de resposta em caso de cheias.

Há mais de um século atrás, em 1910, Paris esteve debaixo de chuvas fortes que provocaram o transbordo do rio Sena e do seu maior afluente, o rio Marne. Naquele tempo, o nível das águas aumentou cerca de oito metros e foram precisos 35 dias para conseguir limpar a sujidade das ruas. Não houve vítimas a registar, e ainda que naquele tempo não houvesse sistema elétrico nem atividade no subsolo, como a linha de metro, os danos materiais foram elevados. 

Para antecipar as ações necessárias em situação de alarme, o Instituto de Planeamento Urbano (IAU, sigla francesa) vai realizar um simulacro que irá abranger as áreas ribeirinhas do Sena e do Marne até dia 18 de março.

Os vídeos abaixo, criados pelo IAU, mostram como algumas ruas ficariam irreconhecíveis com a subida das águas do rio Sena e do Marne.

Este será o primeiro exercício de simulação alguma vez criado pelas autoridades parisienses. O simulacro terá como base uma eventual subida de 50 centímetros por dia do nível das águas do rio Sena e irá envolver 900 profissionais de emergência, 150 polícias e 40 veículos de resposta urgente, refere o site de notícias France 24. Para além destes meios, serão igualmente testadas as capacidades de resposta de quase 90 instituições públicas e privadas, como hospitais, empresas de energia e de eliminação de resíduos.

A diferença entre 1910 [e agora] é que naquela época não tínhamos linhas telefónicas, o metro ou o elétrico no sobsolo. Agora, se há água no metro, tudo vai para baixo”, disse um porta-voz IAU ao jornal britânico The Independent.

Este cenário de inundações em Paris poderá cobrir uma área aproximada de 500 quilómetros quadrados, afetando cerca de 100 mil empresas e 830 mil pessoas que vivem nesses locais. Em caso de catástrofe, os custos na recuperação estão estimados entre os 17 e os 20 mil milhões de euros.