Brasil: repórter morre em tiroteio na favela

As imagens de Gelson Domingos da Silva antes de morrer no decorrer de uma operação de tráfico de droga

Por: Redação / CLC    |   7 de Novembro de 2011 às 10:44
Um repórter de imagem da TV Bandeirantes morreu na manhã deste domingo após ter sido baleado durante um tiroteio entre polícias militares e traficantes na Favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro.

Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, fazia a cobertura jornalística da operação que os batalhões Bope realizaram na comunidade, quando foi atingido por um tiro no peito, informa a imprensa brasileira.

A vítima ainda foi levada para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Santa Cruz, mas não resistiu ao ferimento e já chegou morta ao local. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, o corpo do cinegrafista foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

Em nota, a TV Bandeirantes informou que Gelson estava com colete à prova de bala, um modelo permitido pelas Forças Armadas, usado pelos profissionais da emissora em situações de risco. O cinegrafista, no entanto, foi atingido por um tiro de fuzil que atravessou o colete.

Segundo repórteres que estavam no local, antes de ser baleado Gelson avistou um homem correndo com uma arma na localidade conhecida como rua do Valão. O repórter procurou protecção junto a uma árvore, começou a gravar, mas foi atingido por um disparo.

O repórter de imagem deixa mulher, três filhos e dois netos.

A incursão na Favela de Antares teve início por volta das 6h30 e contou com a participação de 100 polícias. Segundo a Polícia Militar, o objectivo da acção era verificar informações recebidas pelas áreas de Inteligência do Bope e de que líderes do tráfico fortemente armados se reuniam no local. Quatro suspeitos foram mortos e outros oito foram presos, entre eles, o «gerente» do tráfico na região, Renato José Soares, conhecido como «BBC», e seu braço-direito, Leandro Ferreira de Araújo, vulgo «China».

O repórter Ernani Alves, da TV Bandeirantes, acompanhava o cinegrafista Gelson Domingos da Silva. Segundo Alves, a equipa soube da operação da Polícia Militar por volta de 5h. «Partimos imediatamente em alta velocidade para a Avenida Brasil e conseguimos encontrar o comboio na entrada para a zona oeste. Fomos a primeira equipe a entrar na Favela de Antares com os batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e de Choque».

«Foi muito rápido, ele foi atingido pelos disparos e caiu imediatamente. Não deu nem para tirá-lo da viela. Homens do Bope começaram a atirar contra o grupo. Fiquei no meio do fogo cruzado e deitei-me no chão. O Gelson em nenhum momento parou de filmar e filmou quem o matou», relata o repórter.

«Hoje é o dia mais triste da minha vida porque saí com um amigo para trabalhar e não retorno para a redacção com ele».
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