As autoridades judiciais iranianas enforcaram esta madrugada Reyhaneh Jabbari, a jovem de 26 anos condenada à morte por matar o homem que a tentou violar, segundo alegou, confirmou a mãe, a conhecida atriz, Shole Pakravan.

«Enforcaram a minha filha, enforcaram a minha filha», disse, entre soluços, a mãe, que esperava este trágico desfecho desde o início do mês, após as sucessivas recusas de perdão por parte da família do homem, o médico Morteza Abdolalí Sarvandí, que trabalhou para o Ministério dos Serviços Secretos.

A jovem estava presa há sete anos e tinha 19 anos na altura dos factos, em 2006. Reyhaneh Jabbari foi condenada à morte por um Tribunal de Theran em 2009 e o veredicto acabou por ser confirmado pelo Supremo Tribunal do país. Desde então, esteve detida à espera da sua execução.

Tudo aconteceu há sete anos. Segundo a jovem, o homem tentou violá-la e ela agiu em legítima defesa. O indivíduo em causa era Morteza Abdolali Sarbandi, um antigo trabalhador do governo, que estava na área dos Serviços de Inteligência.

De acordo com os ativistas da Amnistia Internacional, os argumentos da jovem nunca foram realmente investigados.

«Em vez de continuarem a executar pessoas, as autoridades iranianas deviam fazer reformas nos seus sistemas judiciais. Os processos não respeitam as leis internacionais e os padrões necessários para um julgamento justo não existem», declarou a diretora da Amnistia Inetrnacional do Médio Oriente e Norte de África, Hassiba Hadj Sahraoui.

O caso tornou-se muito mediático e gerou vários apelos da comunidade internacional. Quer os Estados Unidos, quer a União Europeia já pediram a sua libertação. Uma petição pública juntou ainda cerca de 200 mil assinantes.

Foi a atenção da comunidade internacional que conseguiu, de resto, adiar a execução de Jabbari.  Quando questionado sobre o assunto, o Ministro da Justiça, Mostafa Pour-Mohammadi, declarou apenas que esperava «um bom final para o caso».