O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a retirada das tropas russas para as suas bases permanentes, depois de exercícios militares terem decorrido na região de Rostov, junto à fronteira com a Ucrânia. O Kremlin anunciou que a decisão de Putin aconteceu depois de um encontro com o Ministro da Defesa, Sergei Shoigu.

«O ministro comunicou ao Presidente que o período de treinos e exercícios estava completo. Putin ordenou o regresso das tropas às suas bases. No total, tratam-se de 17600 militares que estiveram em exercício na região de Rostov, durante o verão», lê-se no comunicado.

A agência de notícias russa RIA Novosti avança que a retirada das tropas já começou, citando o Ministro da Defesa.

O anúncio surge a poucos dias do encontro de Putin com o homólogo ucraniano, Petro Poroshenko, em Milão.  Uma reunião que foi agendada no âmbito do encontro de líderes europeus e asiáticos, que decorrerá entre os dias 16 e 17 deste mês.

A retirada das tropas russas já é vista como uma resposta às sanções internacionais de que a Rússia foi alvo e, por outro lado, como um sinal de compromisso no acordo entre Moscovo e Kiev.

Recorde-se que as sanções internacionais decorreram das ações da Rússia na Ucrânia: a anexação da Crimeia em março e o apoio aos separatistas pró-russos, durante o conflito no leste do país, que fez mais de três mil mortos.

Na altura, a NATO acusou a Rússia de ter milhares de militares com tanques e veículos blindados no leste da Ucrânia, a apoiar os separatistas pró-russos. Moscovo rejeitou as acusações, considerando, no entanto, que tem o direito de defender os interesses das regiões pró-russas.

A retirada da tropas russas da Ucrânia surge no mesmo dia em que foi anunciada a demissão do Ministro da Defesa ucraniano, Valery Heletey.

De acordo com o site presidencial, Poroshenko sentiu que estava na altura de mudar a liderança do setor da Defesa do país.

Heletey foi alvo de muitas críticas nas últimas semanas devido à batalha em Ilovaisk, a este de Donetsk, onde 100 soldados ucranianos morreram depois de terem sido encurralados pelos separatistas pró-russos.