Madrid acordou esta sexta-feira como se de domingo se tratasse. Estradas sem engarrafamentos, muitas vezes quase desertas, e múltiplos lugares de estacionamento no centro da cidade terão surpreendido os turistas e os residentes mais distraídos. As medidas de combate à poluição estavam a funcionar: a velocidade máxima foi limitada a valores entre 70 a 90 quilómetros por hora e o estacionamento só estava disponível a moradores, transportes, comerciais e pessoas com mobilidade reduzida.

A poluição não é um problema recente na capital espanhola, mas no início da semana fez disparar os alarmes e levou o executivo da cidade a acionar o protocolo desenhado para os cenários mais preocupantes.

Durante dois dias, terça e quarta-feira, três estações de controlo da contaminação do ar registaram níveis de nitrogénio superiores ao índice que obriga à aplicação de medidas: 200 microgramas por metro cúbico.

Na sequência destes resultados, foi aplicado o protocolo de combate à poluição no centro da cidade, com a primeira fase a ser introduzida na quarta-feira. Neste dia, a partir das 06:00, a velocidade máxima dos veículos foi limitada a valores entre os 70 e os 90 quilómetros por hora.

Mas foi preciso ir mais longe e, esta sexta-feira, entrou em vigor a segunda fase do protocolo. Além da limitação da velocidade máxima, o estacionamento também foi restringido a residentes, transportes, pessoas com mobilidade reduzida e outras exceções como, por exemplo, utentes de hospitais e outras unidades de saúde.

Infringir as regras resultava numa multa que pode ascender aos 90 euros. E talvez por isso, a maioria das pessoas que se deslocou esta sexta-feira ao centro da cidade utilizou outras alternativas como os transportes públicos ou bicicletas.
 
É certo que a cidade reforçou os serviços de transporte, mas, aparentemente, não o suficiente. Carruagens de metro e autocarros lotados, com longas esperas entre os veículos, originaram muitas queixas entre os utilizadores.

Durante todo o dia o centro esteve praticamente deserto de automóveis. Porém, a história foi bem diferente nas periferias da capital, sobretudo nos bairros com boas ligações ao centro. Carros por todo o lado, muitos estacionados em duas filas, indignaram os moradores destas zonas.  
 
Nos últimos anos, Madrid tem registado valores de contaminação do ar acima de outras capitais europeias como Berlim, Londres, Paris ou Roma, segundo a informação disponibilizada nos relatórios da União Europeia.