Chama-se Adul Samon, tem 14 anos, é refugiado, vive longe dos pais, fala inglês e esteve 18 dias preso na gruta de Tham Luang na Tailândia. A educação do jovem e a sua voz calma chamaram a atenção de todos os que viram o vídeo do momento em que a equipa dos Javalis foram encontrados pela equipa de mergulhadores britânicos.

Samon era o único que sabia falar inglês e foi graças a ele que os mergulhadores conseguiram comunicar com o grupo

“Obrigado, obrigado”, foram as primeiras palavras que se ouviram da boca do rapaz que confirmou que ali estavam os treze, os mesmos que tinham desaparecido no dia 23 de junho.

Para além de inglês, Samon fala também tailandês - como se viu no vídeo seguinte - birmanês e chinês. Mas antes de aprender a falar tantos idiomas, Samon viu a sua vida mudar radicalmente.

Nascido em Wa, uma região que ocupa uma parte de Myanmar e outra na China, Samon foi enviado pelos pais, aos 7 anos para o norte da Tailândia, onde viria a ser acolhido por um casal de professores membros de uma igreja cristã. Os pais ficaram em Myanmar, mas visitam o filho regularmente na igreja cristã que o acolheu.

Segundo conta a agência AFP, por fala de reconhecimento de Myanmar como país autónomo, Adul Samon não tem certidão de nascimento, nem bilhete de identidade, muito menos passaporte. De acordo com dados da Agência das Nações Unidas para Refugiados, o jovem de 14 anos é uma das 400 mil pessoas registadas como apátridas na Tailândia e por isso não pode ter bens em seu nome, conta bancária ou sequer casar.

Apaixonado pela escola e pelo desporto

Em declarações à AFP, o professor Phunawhit Thepsurin, diretor do colégio Ban Pa Moead, onde Samon estuda, contou que o jovem adora a escola, é apaixonado por futebol e toca piano e guitarra.

"Ele é bom tanto nos estudos quanto nos desportos. Conquistou várias medalhas e certificados de excelência para a escola", afirmou Thepsurin.

O amor pelos estudos é corroborado pelo professor Phannee Tiyaprom, que diz que o jovem se destaca ainda pela sua educação.

"A primeira coisa em que penso quando falo sobre o Adul é a educação dele. Faz o gesto 'wai' para todos os professores que passam por ele. Faz isso o tempo todo", disse o professor.