Os 13 membros dos “Wild Boar” que ficaram presos na gruta Tham Luang durante 17 dias já tiveram alta hospitalar e deram esta quarta-feira uma conferência de imprensa onde partilharam detalhes acerca da aventura que durou tantos dias na escuridão da caverna.

As crianças e o treinador não conseguiram sair da gruta no dia 23 de junho e só foram resgatados, sãos e salvos, mais de duas semanas depois.

Uma vez fora da caverna, foram encaminhados para o hospital em Chiang Rai, na Tailândia, para receberem tratamento. Esta quarta-feira tiveram alta, um dia antes do que tinha sido anunciado.

Pouco mais de uma hora depois de saírem do hospital, os jovens e o treinador apresentaram-se para a conferência de imprensa. Enquanto equipa de futebol, chegaram ao local - decorado como estádio de futebol - equipados a rigor e com bolas. À chegada, foram aplaudidos pelos familiares, amigos e curiosos presentes. Acenaram, sorridentes, e ainda deram uns toques nas bolas.

"Trazer os 'javalis' para casa"

Por cima da plataforma onde se sentaram os jovens e o treinador lia-se numa faixa aquele que foi o desejo de todos durante as operações de resgate: "Trazer os 'javalis' para casa".

Durante cerca de uma hora e pouco, crianças e treinador puderam responder às questões dos jornalistas, mas foi pedida contenção à imprensa.

"Não sabemos que tipo de feridas é que as crianças trazem nos corações", afirmou à comunicação social, antes do início, o ministro da Justiça da Tailândia, Tawatchai Thaikaew, ao pedir respeito pela privacidade dos jovens.

A equipa médica foi das primeiras a ter intervenção na conferência. De acordo com o diretor do hospital, em média os jovens ganharam três quilos na última semana e os resultados das análises ao sangue "voltaram ao normal".

"Os rapazes mostraram um 'espírito forte' depois de terem estado na gruta", afirmou o médico que avaliou a equipa.

Na vez de ser o treinador Ekkapol Chantawong a dirigir-se à comunicação social, este fez uma revelação que contraria muita da informação avançada durante o período das operações de resgate.

"A maioria da equipa sabia nadar, uns melhor que outros", disse o treinador, acrescentando ainda que, também ao contrário do que havido sido avançado, "a equipa não levou nenhuma comida para o interior da gruta".

"Só bebemos água das estalactites" durante os 17 dias, informou o mais velho do grupo.

Uma das crianças resgatadas afirmou que um dos receios que tinha era de ser castigado por ter ficado preso.

"Tive medo de não conseguir voltar para casa e que a minha mãe me castigasse por isso", disse uma das crianças.

Uma das crianças disse que o seu objetivo se mantém depois da aventura por que passou: "O meu sonho é ser jogador de futebol profissional", afirmou.

Retornando a palavra ao treinador da equipa, houve oportunidade para este esclarecer que a força ou fraqueza dos jovens não definiu a ordem de saída da gruta durante os três dias de operações de resgate. Em vez disso, optou-se por retirar primeiro aqueles cujas casas eram mais longe, para que pudessem dizer a toda a gente que o grupo estava bem.

Durante a conferência, em jeito de homenagem, os jovens mostraram uma moldura com a imagem do mergulhador que morreu durante as tentativas de resgate e que foram os jovens a assinar enquanto ainda estavam no hospital. Do encontro saiu ainda a informação de que os jovens resgatados serão ordenados monges budistas em honra do mergulhador que morreu na missão de salvamento.