As forças norte-americanas efetuaram em julho uma operação para resgatar os reféns norte-americanos nas mãos do Estado Islâmico na Síria, mas fracassaram, anunciaram na quarta-feira o Pentágono e a Casa Branca. A informação foi divulgada um dia depois de «jihadistas» terem difundido um vídeo a mostrar a decapitação do jornalista James Foley, raptado na Síria em novembro de 2012.

«No início do verão, o presidente deu luz verde a uma operação destinada a resgatar cidadãos norte-americanos sequestrados pelo Estado Islâmico na Síria», referem a Casa Branca e o Pentágono em comunicado.

Risco de represálias

A divulgação da missão ocorre numa altura em que surgem críticas contra o Presidente Obama por não ter levado a cabo os esforços necessários para a libertação de Foley. Mas o comunicado do Pentágono levanta receios de que a divulgação da operação aumente os riscos de represálias, nomeadamente em relação a Steven Sotloff, outro jornalista norte-americano que ainda se mantém refém do Estado Islâmico.

O Pentágono explica que a operação, levada a cabo este Verão, fracassou «porque os reféns não estavam presentes na localização alvo do ataque». Terão sido movimentados antes do raide, «um dia ou dois antes, talvez apenas umas horas antes» da chegada dos comandos, disse uma fonte ao «New York Times».

Com base numa informação de um elemento da administração Obama, o jornal britânico «The Guardian» especifica que estiveram envolvidos na ação dezenas de militares de forças especiais norte-americanas, assim como helicópteros Black Hawk modificados e «aviões de combate de asa fixa e drones», que deram proteção às forças terrestres. Diversos elementos do Estado Islâmico foram mortos e não houve vítimas do lado norte-americano. Apenas um militar sofreu um ferimento sem gravidade, embora a operação tenha sido de alto risco.

De acordo com o britânico «The Independent», é primeira vez que os EUA reconhecem ter tido militares no terreno na Síria desde o início da guerra civil há mais de três anos. A porta-voz do conselho de segurança da Casa Branca Caitlin Hayden disse que Washington não pretendia divulgar a operação, mas que como alguns meios de comunicação se preparavam para divulgar a história, foi forçada a fazê-lo.

EUA e Reino Unido recusam negociações de resgate

A atenção vira-se agora para outros estrangeiros que o Estado Islâmico raptou como Steven Stoloff, jornalista freelance a escrever para as revistas norte-americanas «Time» e «Foreign Policy». No vídeo de James Foley, os radicais disseram que Stoloff, raptado há um ano perto da fronteira da Síria com a Turquia, seria a próxima vítima caso continuassem os ataques.

Os radicais têm ganho com os raptos, tendo recolhido resgates por pelo menos dez reféns, incluindo um dinamarquês, três franceses e dois espanhóis. E terá sido esse o motivo, diz o «The Independent», que levou os EUA a não pagarem um resgate que foi pedido por James Foley. Resgates pagos pelos países europeus tornaram-se uma importante fonte de financiamento para grupos terroristas. A política dos governos dos EUA e do Reino Unido é de recusar tais negociações de resgate.

A família do jornalista decapitado afirmou ao «New York Times» que os captores exigiram um resgate de 100 milhões de dólares (75,5 milhões de euros) para o libertarem.

Na semana passada, os radicais enviaram um email à família de James Foley e para o site «GlobalPost», para quem o jornalista trabalhava, ameaçando matá-lo. «Nós sabíamos exatamente onde ele estava, pelos reféns libertados», disse ao «Washington Post» o diretor-executivo do «GlobalPost». «Nós sabíamos que os carcereiros dele eram jihadistas britânicos», acrescentou Philip Balboni.

Jornalista decapitado: caça ao inglês «John»