Portugal congratulou-se esta sexta-feira com a adoção de uma resolução pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a República Centro-Africana.

Mais de 130 pessoas morreram nos confrontos entre milícias e as forças de segurança registados, esta quinta-feira, na capital da República Centro-Africana, Bangui, confirmou a Cruz Vermelha.

«Portugal congratula-se com a adopção, ontem [quinta-feira], da Resolução 2127/2013 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que demonstra a determinação da Comunidade Internacional em proteger a população da República Centro-Africana e promover a paz e a segurança naquele país», lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros enviado à Lusa.

«Causam igualmente apreensão as tentativas de manipulação dos confrontos em termos étnicos e religiosos, com graves consequências para a segurança regional», afirma-se no documento, que conclui com a manifestação de um «particular apreço pelos esforços que a França e a União Africana vêm desenvolvendo no terreno, também com o apoio da União Europeia».

«Registámos mais de 130 mortos até à noite passada, mas (...)neste momento, não podemos 'fechar' a lista» de vítimas mortais, indicaram fontes do organismo à agência Efe.

O número supera largamente o divulgado, pela Médicos Sem Fronteiras, cujo balanço apontava para pelo menos 50 mortos e cerca de cem feridos, enquanto as autoridades estimaram o número de vítimas mortais em pelo menos mais de uma centena.

Esta manhã, a capital da República Centro-Africana acordou com alguns incidentes violentos em distritos a sul, tendo-se registado rixas durante a noite noutros lugares da cidade, segundo constatou a agência noticiosa espanhola.

Vários testemunhos do norte, oeste a sul de Bangui asseguraram à Efe que membros do grupo rebelde Séléka - cujo líder Michel Djotodia, exerce como presidente a transição da República Centro-Africana - têm cometido abusos nessas zonas.

O Ministério de Segurança Pública anunciou, entretanto, o encerramento das fronteiras com a República Democrática do Congo, a partir desta sexta e até novo aviso.

A situação continua complicada na capital, apesar de o Presidente francês, François Hollande, ter anunciado, esta noite, o arranque «imediato» da ação militar, depois da aprovação de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU que autoriza Paris a utilizar a força na República Centro-Africana.

O chefe de Estado indicou que a França conta já com 650 militares no terreno, um contingente que espera duplicar «nos próximos dias, para não dizer nas próximas horas», com um único fim: «salvar vidas».

As declarações de Hollande foram feitas horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter autorizado a intervenção de forças francesas na República Centro-Africana em apoio a uma força pan-africana para restaurar a segurança na antiga colónia francesa.

A resolução, aprovada por unanimidade, autoriza os soldados franceses a «tomarem todas as medidas necessárias para apoiar a Misca (força africana na República Centro-Africana) no cumprimento do seu mandato».

A Misca poderá agir «por um período de 12 meses» e tem por missão «proteger os civis, restabelecer a ordem e a segurança, estabilizar o país» e facilitar a distribuição de ajuda humanitária na República Centro-Africana.

Exército francês atirou a matar antes da autorização das Nações Unidas

Forças do exército francês enviadas para ajudar nos confrontos na República Centro-Africana mataram várias pessoas envolvidas nos conflitos, antes de as Nações Unidas autorizarem o uso da força esta quinta-feira.

Segundo informações da Reuters, tratou-se de uma retaliação por um ataque efetuado por forças ainda não identificadas.

«Homens armados [numa carrinha] dispararam contra elementos do exército francês estacionados no aeroporto ontem de manhã. Nós respondemos. A carrinha foi destruída e os homens mortos», afirmou Gilles Jarron porta-voz do ministro da Defesa francês.