A atriz Renée Zellweger, que protagonizou a comédia romântica «O Diário de Bridget Jones», tem sido o assunto do momento, depois de ter aparecido num evento em Los Angeles com as feições do rosto modificadas. Segundo testemunhas no local citadas pelo «Mirror», houve mesmo quem a tivesse confundido com a colega de profissão Cameron Diaz.

Sabe-se que Zellweger é capaz de mudar radicalmente de imagem para interpretar uma personagem - a atriz engordou 12 quilos para encarnar Bridget Jones e depois teve de perder o peso que ganhou para entrar no musical «Chicago». Mas, aparentemente, e a julgar pela chuva de críticas que invadiu as redes sociais depois de terem sido divulgadas as imagens do evento, o mundo não estava preparado para uma transformação a este nível. 


<script async="" src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>E houve mesmo quem aproveitasse a situação para fazer piadas.
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A atriz já reagiu à polémica e, numa entrevista à revista «People», congratulou-se pelas reações provocadas.  «Estou feliz por as pessoas acharem que pareço diferente. Estou a viver uma vida feliz, mais gratificante e diferente, e estou muito feliz que isso transpareça», afirmou.

Nessa entrevista, Zellweger disse que está diferente porque, além de estar mais velha (tem 45 anos), está mais saudável. No entanto, a polémica parte de um pressuposto diferente:
Renée ter-se-á submetido a cirurgias plásticas e é isso que é condenado.

Num artigo de opinião do «The Guardian», Jennifer Gerson Uffalussy, que já foi editora de moda para a Ralph Lauren ou para o «Jezebel», referiu a pressão que as mulheres famosas sofrem para corresponderem aos padrões que lhes são exigidos. Uffalussy condenou o julgamento de que estas famosas são alvo.

«A obsessão pelos famosos deu origem a um fenómeno estranho: os corpos de pessoas que nos são completamente estranhas são considerados propriedade pública e avaliados, criticados e descartados», escreveu.

A polémica é antiga e já atingiu várias celebridades antes de Renée. Donatella Versace, Lindsay Lohan, Tara Reid, Nicole Kidman ou Melanie Griffith são apenas alguns exemplos.

Griffith chegou mesmo a admitir que era alvo de críticas maldosas no Twitter.  «Os tweets que recebo são muito cruéis. A maioria dizem-me que pareço horrível», afirmou.

A verdade é que, nem mesmo quando a «vítima» é Zellweger, Griffith é esquecida.


A propósito do que aconteceu com a portuguesa Jessica Athayde - que foi criticada, a semana passada, por alegadamente ter uns quilinhos a mais para desfilar em biquíni - a TVI24 falou com a socióloga Elisabete Rodrigues sobre o conceito de beleza na sociedade contemporânea.

«Nas sociedades contemporâneas ser-se bonito implica ser-se magro e jovem. Mas não só. Sorriso branco, dentes alinhados, cabelo brilhante, ausência de pêlos, borbulhas, estrias, celulite… são alguns dos inúmeros requisitos», disse a socióloga. 

Relativamente às celebridades, os padrões parecem ser ainda mais exigentes.  Uffalussy escreveu que  «esperamos que as mulheres famosas tenham tudo: beleza, juventude, talento, humildade», sublinhando que as criticamos ao mínimo sinal de rugas ou  celulite. 

A questão está lançada: se criticamos tanto as celebridades ao mínimo defeito que apresentam, por que as julgamos quando tentam corrigir o que supostamente está mal? 

O problema não parece ser a transformação em si, mas antes o processo.  Apesar de os ideias de beleza exigidos serem cada vez mais elevados, o recurso à intervenção estética ainda pode gerar algum preconceito, muito em parte por ser considerada uma prática anti-natura.

No caso da sociedade portuguesa, é inegável que a alimentação saudável e a prática de exercício físico estão na moda. Assistimos aos fenómenos dos sumos detox, ao running e ao crossfit e todas estas práticas são consideradas integradas num regime saudável, que previne os sinais de envelhecimento. 

A ditadura da beleza pode ser uma faca de dois gumes. A pressão em ser perfeito existe, mas a ideia passa por ser sempre de uma forma natural.

Em declarações à TVI24, Elisabete Rodrigues explicou que os ideais de beleza atuais são «impossíveis de alcançar» e que, por isso, é que muitas pessoas se sujeitam a cirurgias plásticas. A socióloga destacou a necessidade de um «questionamento da realidade». 

Agora,  Uffalussy usou o termo «hipocrisia» para descrever o julgamento permanente que existe sobre a imagem. A editora de moda foi mais longe e considerou que, no caso das figuras públicas, cujo corpo é um instrumento de trabalho, a beleza é uma luta perdida: na melhor das hipóteses é-se criticada, na pior perdem-se as oportunidades de trabalho.