mortes dos colegas

Luzier foi precisamente o autor da capa da edição que se seguiu à chacina: uma caricatura do profeta Maomé com um sinal onde se lê “Je Suis Charlie”, a frase de solidariedade que se tornou viral, e o título “Tudo está perdoado”.

O cartoonista explicou ao jornal francês "Libération" que esta decisão foi uma “escolha muito pessoal" e que se prende com a "tortura" que tem vivido após a morte dos colegas.

“Todos os assuntos são uma tortura porque os outros não estão. Passar muitas noites sem dormir, imaginando o que Charb, Cabu, Honoré e Tignous fariam é desgastante.”

Luzier também deixou uma confissão: não vai desenhar o profeta Maomé novamente. Recorde-se que antes da tragédia, as suas caricaturas do profeta foram alvo de muitas críticas.

A 7 de janeiro, o jornal foi alvo de um atentado, perpetrado por dois homens armados que mataram 12 funcionários, incluindo o diretor do jornal, Charb, e os conceituados cartoonistas Cabu, Wolinski, Honoré e Tignous.

Depois de o mundo ter ficado chocado com a tragédia, vários donativos têm chegado à redação do jornal, num valor que já ronda os 4,3 milhões de euros. Mas no "Charlie Hebdo", cartoonistas e editora não se entendem quanto à utilização desse dinheiro. Uma comissão especial vai ser criada para definir o destino destas verbas.