O bebé infetado com o vírus da sida que tinha ficado curado da doença apresentou níveis do vírus extremamente elevados, revelaram os oficiais de saúde norte-americanos, esta quinta-feira, citados pela Reuters.

A criança, conhecida como «bebé do Misssissippi», foi objeto de estudo por causa da prolongada remissão da infeção.

«Certamente, é frustrante a mudança do estado para esta criança, para a equipa médica envolvida no seu tratamento e para a equipa de investigação contra o HIV/Sida», afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeciosas dos EUA.

O bebé, natural do Estado rural do Mississipi, começou a ser tratado com antirretrovirais cerca de 30 horas após o seu nascimento, um método pouco habitual.

A terapêutica usada, mais agressiva e precoce, poderá explicar a cura funcional da criança, ao bloquear a formação de reservatórios virais difíceis de tratar, de acordo com os médicos.

As células contaminadas «dormentes» relançam a infeção na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.

Deborah Persaud, médica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investigação, assegura que a criança, com 2 anos e meio, esteve quase um ano sem medicação, período durante o qual não apresentou sinais do vírus ativo.

Segundo a especialista, principal autora do relatório clínico, a carga viral no sangue do bebé começou a baixar assim que começou a ser tratado.

Persaud e outros médicos garantem que a criança esteve realmente infetada com o VIH, ao responder positivo à presença do vírus no sangue em cinco testes, efetuados no primeiro mês de vida.

O bebé foi tratado com antirretrovirais até ter um ano e meio, idade a partir da qual os médicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste período, a criança não recebeu qualquer terapêutica.

Os médicos fizeram, posteriormente, uma série de testes sanguíneos, sem detetar a presença do VIH no sangue do bebé.

De acordo com os virologistas, a supressão da carga viral do VIH, sem tratamento, é extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infetados, cujo sistema imunitário impede a replicação do vírus e o torna clinicamente indetetável.