O padre Luiz Couto, que é também deputado federal do Partido dos Trabalhadores (PT), foi afastado das funções de sacerdote pela Arquidiocese do Estado de Paraíba, por defender o aborto e o uso de preservativos, escreve a Lusa.

A decisão foi anunciada na quarta-feira através de comunicado oficial da Pastoral da Comunicação (Pascom).

As palavras polémicas

A polémica surgiu depois de Couto se declarar favorável ao uso de preservativos e criticar a intolerância e a discriminação dos homossexuais, em entrevista publicada pelo jornal de Paraíba O Norte.

Ao tomar conhecimento do conteúdo da entrevista, o arcebispo de Paraíba, D. Aldo di Cillo Pagotto, suspendeu o padre de funções, proibindo-o de celebrar missas, baptizados e casamentos.

«Lamentavelmente, declarações sumárias e ambíguas a respeito do uso de preservativos, união de homossexuais são posições diametralmente contrárias à orientação oficial do Vaticano. Isso é intolerável», disse o arcebispo, esta quinta-feira citado pelo diário Folha de São Paulo.

Pode voltar a exercer

A proibição é válida apenas para as 75 paróquias subordinadas ao arcebispo D. Aldo Pagotto, mas o padre-deputado pode voltar a exercer a função de sacerdote, desde que se retrate publicamente das declarações feitas na entrevista.

A Comissão Executiva Estadual do PT em Paraíba divulgou um comunicado em que manifesta «total e irrestrita solidariedade» ao padre-deputado.

No documento, o PT considera que Luiz Couto está a ser vítima de uma punição «injusta e arbitrária, com a cassação e censura pública ao direito de exercer o sacerdócio, ao qual vem dedicando o melhor de suas energias e fé por mais de 30 anos».

«Demonstra uma intolerância»

De acordo com o partido, este acto afronta os direitos humanos e «demonstra uma intolerância afeita aos tempos do obscurantismo e em dissonância com os avanços da sociedade contemporânea e da própria Igreja».

Luiz Couto é filho de trabalhadores rurais sem-terra, ordenou-se padre em 1976 e aproximou-se do pensamento da Teologia da Libertação, corrente católica com influência marxista.

«Sinal de atraso»

O teólogo brasileiro Leonardo Boff foi a sua base de inspiração. Ele é o principal representante desta corrente de pensamento contrária a muitas posições pregadas pelo Vaticano.

Segundo Couto, a decisão do Vaticano de proibir os fiéis de usarem preservativos nas relações sexuais é um «sinal de atraso». Embora se declare contrário à prática do aborto, afirma que não pode «fechar os olhos à realidade» pelo que defende a necessidade de apoiar as mulheres que interrompem a gravidez.

Além disso, em 2005, Luiz Couto foi relator de uma investigação aos grupos de extermínio do Nordeste, figurando actualmente na lista dos ameaçados de morte.